quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mitos

A história do homem é a conseqüência dos mitos e cren¬dices que ele elaborou para a sobrevivência, para o seu pen¬samento ético.
Medos e ansiedades, aspirações e sofrimentos estereoti¬pam-se em fórmulas e formas mitológicas que lhe refletem o estágio evolutivo, em alguns deles perfeitamente consentâ¬neos com as suas conquistas contemporâneas.
As concepções indianas lendárias, as tradições templári¬as dos povos orientais, recuperam as suas formulações nas tragédias gregas, excelentes repositórios dos conflitos hu¬manos, que a mitologia expõe, ora com poesia, em momen¬tos outros com formas grotescas de dramas cruéis.
A vingança de Zeus contra Prometeu, condenado à puni¬ção eterna, atado a um rochedo, no qual, um abutre lhe devo¬rava o fígado durante o dia e este se refazia à noite para que o suplício jamais cessasse, humaniza o deus vingador e despei¬tado, porque o ser, que ele criara, ao descobrir o fogo, adqui-rira o poder de iluminar a Terra, tornando-se uma quase di¬vindade. O ciúme e a paixão humana cegaram o deus, que se enfureceu.
O criador desejava que o seu gerado fosse sempre um ino¬cente, ignorante, dependente, sem consciência ética, sem dis¬cernimento, a fim de que pudesse, o todo-poderoso, nele com-prazer-se.
A desobediência, ingênua e curiosa do ser criado, trouxe-lhe o ignóbil, inconcebível e imerecido castigo, caracterizan¬do a falência do seu gerador.
Com pequenas variações vemos a mesma representação em outros povos e doutrinas de conteúdo infantil, que se não dão conta ou não querem encontrar o significado real da vida, a sua representação profunda, castigando aqueles que lhe de¬sobedecem e preferem a idade adulta da razão, abandonando a infância.
O pensamento cartesiano, com o seu “senso prático”, deu-lhes o primeiro golpe e lentamente decretou a morte dos mitos e das crenças.
Se, de um lado, favoreceu ao homem que abandonasse a tradição dos feiticeiros, dos bichos-papões, das cegonhas tra¬zendo bebês, eliminou também as fadas madrinhas, os gêni¬os bons, os anjos-da-guarda. E quando já se acreditava na morte dos mitos, considerando-se as mentes adultas libera-das deles, eis que a tecnologia e a mídia criaram outros hodiernos: ¬ os super-homens, os He-man, os invasores marcia¬nos, os homens invisíveis, gerando personagens considera¬das extraordinárias para o combate contra o mal sem trégua em nome do bem incessante.
Concomitantemente, a robótica abriu espaços para que a imaginação ampliasse o campo mitológico e as máquinas ele¬trônicas, na condição de simuladores, produzissem novos heróis e ases vencedores no contínuo campeonato das com¬petições humanas.
O exacerbar do entusiasmo tornou a ficção uma realidade próxima, permitindo que os jovens modernos confundam as suas possibilidades limitadas com as remotas conquistas da fantasia.
Imitam os heróis das histórias em quadrinhos, tomam posturas semelhantes aos líderes de bilheteria, no teatro, no rádio, no cinema, na televisão e chegam a crer-se imortais físicos, corpos indestrutíveis ou recuperáveis pelos engenhos da biônica, igualmente fabricantes de seres imbatíveis.
Retorna-se, de certo modo, ao período em que os deuses desciam à Terra, humanizando-se, e os magos com habilida¬des místicas resolviam quaisquer dificuldades, dando mar¬gem a uma cultura superficial e vandálica de funestos resul¬tados éticos.
A violência, que irrompe, desastrosa, arma os novos Ram¬bos com equipamentos de vingança em nome da justiça, en¬frentando as forças do mal que se apresentam numa socieda¬de injusta, promovendo lutas lamentáveis, sem controle.
As experiências pessoais, resultado das conquistas éticas, cedem lugar aos modelos fabricados pela imaginação fértil, que descamba para o grotesco, fomentado o pavor, ironizan¬do os valores dignos e desprezando as Instituições.
A falência do individualismo industrial, a decadência do coletivismo socialista deram lugar a novas formas de afirmação, nas quais o inconsciente projeta os seus mitos e asse¬nhoreia-se da realidade, confundindo-a com a ilusão.
As virtudes apresentam-se fora de moda e a felicidade surge na condição de desprezo pelo aceito e considerado, ins¬tituindo a extravagância — novo mito — como modelo de auto-realização, desde que choque e agrida o convívio social.
O perdido “jardim do Éden” da mitologia bíblica reapare¬ce na grande satisfação do “fruto do pecado”, transformando a punição em prazer e desafiando, mediante a contínua deso¬bediência, o Implacável que lhe castigou o despertar da cons¬ciência.
Na sucessão de desmandos propiciados pelos mitos con¬temporâneos, toma corpo a saudade da paz — inocência re¬presentativa do bem — e a experiência, demonstrando a inevi¬tabilidade dos fenômenos biológicos do desgaste do cansa¬ço, do envelhecimento e da morte, propicia uma revisão cul¬tural com amadurecimento das vivências, induzindo o ser a uma nova busca da escala de valores realmente representati¬vos das aspirações nobres da vida.
A solidão e a ansiedade que os mitos mascaram, mas não eqüacionam, rompem a couraça de indiferença do homem pela sua profunda identidade, levando-o a um amadurecimento em que o grupo social dele necessita para sobreviver, tanto quanto lhe é importante, favorecendo-o com um intercâmbio de emoções e ações plenificadoras.
Os mitos, logo mais, cederão lugar a realidades que já se apresentam, no início, como símbolos de uma nova conquis¬ta desafiadora e que se incorporarão, a pouco e pouco, ao cotidiano, ensinando disciplina, controle, respeito por si mes¬mo, aos outros, às autoridades, que no homem se fazem in-dispensáveis para a feliz coexistência pacífica.

Òdio e suicídio

Herdeiro de si mesmo, carregando, no inconsciente, as experiências transatas, o homem não foge aos atavismos que ojungem ao primitivismo, embora as claridades arrebatado¬ras do futuro chamando-o para as grandes conquistas.
Liberar-se do forte cipoal das paixões animalizantes para os logros da razão é o grande desafio que tem pela frente.
Onde quer que vá, encontra-se consigo mesmo.
A sua evolução sócioantropológica é a história das contí¬nuas lutas, em que o artista — o Espírito — arranca do bloco grotesco — a matéria — as expressões de beleza e grandiosida¬de que lhe dormem imanentes.
Os mitos de todos os povos, na história das artes, das filo¬sofias e das religiões, apresentam a luta contínua do ser liber¬tando-se da argamassa celular, arrebentando algemas para fir¬mar-se na liberdade que passa a usar, agressivamente, no co¬meço, até converter-se em um estado de consciência ética plenificador, carregado de paz.
Em cada mito do passado surge o homem em luta contra forças soberanas que o punem, o esmagam, o dominam.
Gerado o conceito da desobediência, o reflexo da puni¬ção assoma dominador, reduzindo o calceta a uma posição ínfima, contra a qual não se pode levantar, sequer justificar a fragilidade.
Essa incapacidade de enfrentar o imponderável — as for¬ças desgovernadas e prepotentes — mais tarde se apresenta camuflada em forma de rebelião inconsciente contra a exis¬tência física, contra a vida em si mesma.
Obrigado mais a temer esses opressores, do que a os amar, compelido a negociar a felicidade mediante oferendas e cul¬tos, extravagantes ou não, sente-se coibido na sua liberdade de ser, então rebelando-se e passando a uma atitude formal em prejuízo da real, a um comportamento social e religioso conveniente ao invés de ideal, vivendo fenômenos neuróti¬cos que o deprimem ou o exaltam, como efeitos naturais de sua rebelião íntima.
Ao mesmo tempo, procurando deter os instintos agressi¬vos nele jacentes, sem os saber canalizar, sofre reações psi¬cológicas que lhe perturbam o sistema emocional.
O ressentimento — que é uma manifestação da impotência agressiva não exteriorizada — converte-se em travo de amar¬gura, a tornar insuportável a convivência com aqueles contra os quais se volta.
Antegozando o desforço — que é a realização íntima da fraqueza, da covardia moral — dá guarida ao ódio que o com¬bure, tornando a sua existência como a do outro em um ver¬dadeiro inferno.
O ódio é o filho predileto da selvageria que permanece em a natureza humana. Irracional, ele trabalha pela destrui¬ção de seu oponente, real ou imaginário, não cessando, mes¬mo após a derrota daquele.
Quando não pode descarregar as energias em descontrole contra o opositor, volta-se contra si mesmo articulando me¬canismos de autodestruição, graças aos quais se vinga da so¬ciedade que nele vige.
Os danos que o ódio proporciona ao psiquismo, por des¬trambelhar a delicada maquinaria que exterioriza o pensa¬mento e mantém a harmonia do ser, tornam-se de difícil cata¬logação.
Simultaneamente, advêm reações orgânicas que se refletem nas funções hepáticas, digestivas, circulatórias, dando origem a futuros processos cancerígenos, cardíacos, cere¬brais...
A irradiação do ódio é portadora de carga destrutiva que, não raro, corrói as engrenagens do emissor como alcança aquele contra quem vai direcionada, caso este sintonize em faixa de equivalência vibratória.
Lixo do inconsciente, o ódio extravasa todo o conteúdo de paixões mesquinhas, representativas do primarismo evo¬lutivo e cultural.
Algumas escolas, na área da psicologia, preconizam como terapia, a liberação da agressividade, do ódio, dos recalques e castrações, mediante a permissão do vocabulário chulo, das diatribes nas sessões de grupo, das acusações recíprocas, pre¬tendendo o enfraquecimento das tensões, ao mesmo tempo a conquista da auto-realização, da segurança pessoal.
Sem discutirmos a validade ou não da experiência, o ho¬mem é pássaro cativo fadado a grandes vôos; ser equipado com recursos superiores, que viaja do instinto para a razão, desta para a intuição e, por fim, para a sua fatalidade plena, que é a perfeição.
Uma psicologia baseada em terapêutica de agressão e li¬bertação de instintos, evitando as pressões que coarctam os anseios humanos, certamente atinge os primeiros propósitos, sem erguer o paciente às cumeadas da realização interior, da identificação e vivência dos valores de alta monta, que dão cor, objetivo e paz à existência.
Assumir a inferioridade, o desmando, a alucinação é ex¬travasá-los, nunca sanar o mal, libertar-se dele por desneces¬sário.
Se não é recomendável para as referidas escolas, a repres¬são, pelos males que proporciona, menos será liberar alguns, aos outros agredindo, graças aos falsos direitos que tais paci¬entes requeiram para si, arremetendo contra os direitos alheios.
A sociedade, considerada como castradora, marcha para terapias que canalizem de forma positiva as forças humanas, suavizando as pressões, eliminando as tensões através de pro¬gramas de solidariedade, recreio e serviços compatíveis com a clientela que a constitui.
O ódio pressiona o homem que se frustra, levando-o ao suicídio. Tem origens remotas e próximas.
Nas patologias depressivas, há muito fenômeno de ódio embutido no enfermo sem que ele se dê conta. A indiferença pela vida, o temor de enfrentar situações novas, o pessimis¬mo disfarçam mágoas, ressentimentos, iras não digeridas, ódios que ressumam como desgosto de viver e anseio por interromper o ciclo existencial.
Falhando a terapia profunda de soerguimento do enfer¬mo, o suicídio é o próximo passo, seja através da negação de viver ou do gesto covarde de encerrar a atividade física.
Todos os indivíduos experimentam limites de alguma pro¬cedência.
Os extrovertidos conquistadores ocultam, às vezes, lar¬gos lances de timidez, solidão e desconfiança, que têm difi¬culdade em superar.
Suas reuniões ruidosas são mais mecanismos de fuga do que recursos de espairecimento e lazer.
Os alcoólicos que usam, as músicas ensurdecedoras que os aturdem, encarregam-se de mantê-los mais solitários na confusão do que solidários uns com os outros.
As gargalhadas, que são esgares festivos, substituem os sorrisos de bem-estar, de satisfação e humor, levando-os de um para outro lugar-nenhum, embora se movimentem por cidades, clubes e reuniões diversos.
O ser humano deve ter a capacidade de discernimento para eleger os valores compatíveis com as necessidades reais que lhe são inerentes.
Descobrir a sua realidade e crescer dentro dela, aumen¬tando a capacidade de ser saudável, eis a função da inteligên¬cia individual e coletiva, posta a benefício da vida.
As transformações propõem incertezas, que devem ser enfrentadas naturalmente, como as oposições e os adversári¬os encarados na condição de ocorrências normais do proces¬so de crescimento, sem ressentimentos, nem ódios ou fugas para o suicídio.
O homem que progride cada dia, ascende, não sendo atin¬gido pelas famas dos problematizados que o não podem acom¬panhar, por enquanto, no processo de crescimento.
Alcançado o acume desejado, este indivíduo está em con¬dições de descer sem diminuir-se, a fim de erguer aquele que permanece na retaguarda.
Ora, para alcançar-se qualquer meta e, em especial, a da paz, torna-se necessário um planejamento, que deflui da au¬toconsciência, da consciência ética, da consciência do conhe¬cimento e do amor,
O planejamento precede a ação e desempenha papel fun¬damental na vida do homem.
Somente uma atitude saudável e uma emoção equilibra¬da, sem vestígios de ódio, desejo de desforço, podem plane¬jar para o bem, o êxito, a felicidade.

Fobia Social

Pressionado pelas constrições de vária ordem, exceção feita aos fenômenos patológicos, na área da personalidade, o indivíduo tímido, desistindo de reagir, assume comportamen¬tos fóbicos.
Neuroses e psicoses se lhe manifestam, atormentando-o e gerando-lhe um clima de pesadelo onde quer que se encon¬tre.
A liberdade, que lhe é de fundamental importância para a vida, perde o seu significado externo, face às prisões sem paredes que são erguidas, nelas encarcerando-se.
Da melancolia profunda ele passa à ansiedade, com alter¬nâncias de insatisfação e tentativas de autodestruição, e da desconfiança sistemática tomba, por falta de resistências morais, diante dos insucessos banais da existência. Nem mes¬mo o êxito nos negócios, na vida social e familiar, consegue minimizar-lhe o desequilíbrio que, muitas vezes, aumenta, em razão dejá não lhe sendo necessário fazer maiores esfor¬ços para conseguir, considera-se sem finalidade que justifi¬que prosseguir.
Os estados fóbicos desgastam-lhe os nervos e conduzem-no às depressões profundas. São vários estes fenômenos no comportamento humano.
Surge, porém, no momento, um que se generaliza, a pou¬co e pouco, o denominado como fobia social, graças ao qual, o indivíduo começa a detestar o convívio com as demais pes¬soas, retraindo-se, isolando-se.
A princípio, apresenta-se como forma de mal-estar, de¬pois, como insegurança, quando o homem é conduzido a en¬frentar um grupo social ou o público que lhe aguarda apre¬sença, a palavra.
O grau de ansiedade foge-lhe ao controle, estabelecendo conflitos psicológicos perturbadores.
A ansiedade comedida é fenômeno perfeitamente natu¬ral, resultante da expectativa ante o inusitado, face ao traba¬lho a ser desenvolvido, diante da ação que deve ser aplicada como investimento de conquista, sem que isto provoque de¬sarmonia interior com reflexos físicos negativos.
Quando, então, se revela, desencadeada por problemas de somenos importância, produzindo taquicardias, sudorese álgida, tremores contínuos, estão ultrapassados os limites do equilíbrio, tornando-se patológica.
A fobia social impede uma leitura em voz alta, uma assi¬natura diante de alguém que acompanhe o gesto, segurar um talher para uma refeição, pegar um vaso com líquido sem o entornar... O paciente, nesses casos, tem a impressão de que está sob severa observação e análise dos outros, passando a detestar as presenças estranhas até os familiares e amigos mais íntimos.
Em algumas circunstâncias, quando o processo se encon¬tra em instalação, a concentração e o esforço para superar o impedimento auxiliam-no, facultando-o somente relaxar-se e adquirir naturalidade após constatar que ninguém o observa, perdendo, assim, o prazer do diálogo, face à tensão gerada pelo problema.
A tendência natural do portador de fobia social é fugir, ocultar-se malbaratando o dom da existência, vitimado pela ansiedade e pelo medo.
O homem é o único animal ético existente.
Para adquirir a condição de uma consciência ética é con¬vidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo, imprimindo-se um comportamento que corresponda ao seu grau de compre¬ensão existencial.
Aprofundando-se no exame dos valores, distingue-os. passando a viver conforme os padrões que estabelece como indispensáveis às metas que persegue, porqüanto pretende constituir-lhe a felicidade.
A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, apli¬ca outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial.
A vida de relação com os demais indivíduos é-lhe essen¬cial ao progresso ético.
Isolado, asselvaja-se ou entrega-se a uma submissão in¬diferente, perniciosa.
As imposições do relacionamento social exterior, sem profundidade emocional, respondem por esta explosão fóbi¬ca, face à ausência de segurança afetiva entre os indivíduos e à competição que grassa, desenfreada, fazendo que se veja sempre, no atual amigo, o potencial usurpador da sua função, o possível inimigo de amanhã.
Tal desconfiança arma as pessoas de suspeição, levando-as a uma conduta artificial, mediante a qual se devem apre¬sentar como bem estruturadas emocionalmente, superiores às vicissitudes, capazes de enfrentar riscos, indiferentes às agressões do meio, porque seguras das suas reservas de for¬ças morais.
Gerando instabilidade entre o que demonstram e aquilo que são realmente, surge o pavor de serem vencidas, deixa¬das à margem, desconsideradas. O mecanismo de fuga da luta sem quartel apresenta-se-lhes como alternativa saudável, por poupar-lhes esforços que lhes parecem inúteis, desde que não se sentem inclinadas a usar dos mesmos métodos de que se crêem vítimas.
Simultaneamente, as atividades trepidantes e as festas ruidosas mais afastam os amigos, que dizem não dispor de tempo para o intercâmbio fraternal, a assistência cordial, re¬ceosos, por sua vez, de igualmente tombarem, vitimados pelo mesmo mal que os ronda, implacável.
Nestas circunstâncias, mentes desencarnadas, deprimen¬tes, se associam aos pacientes, complicando-lhes o quadro e empurrando-os para as psicoses profundas, irreversíveis.
A desumanização do homem, que se submete aos capri¬chos do momento dourado das ilusões, conspira contra ele próprio e o seu próximo, tornando esta a geração do medo, a sociedade sem destino.

Homens-aparência

Homens-aparência


A falta de uma consciência idealista, na qual predomina o bem geral sem os impulsos egoístas que trabalham em favor do imediatismo, torna difícil a realização da liberdade.
Para lográ-la até a plenitude, faz-se mister um seguro co¬nhecimento interior do homem, das suas aspirações e metas, bem como os instrumentos de trabalho com os quais preten¬de movimentar-se.
Ignorando as reações pessoais sempre imprevisíveis, fa¬cilmente ele tomba nas ciladas da violência ou entrega-se àdepressão, quando surgem dificuldades e as respostas ao seu esforço não correspondem ao anelado.
Incapaz de controlar-se, mantendo uma atitude criativa e otimista, mesmo em face dos dissabores, a liberdade se lhe transforma em uma conquista vazia, cuja finalidade é per¬mirtir-lhe extravasar os impulsos primitivos e as paixões agressivas, em atentado cruel contra aquilo que pretende: o anseio de ser livre.
O homem livre, sonha e trabalha, confia e persevera, se¬meando, em tempo próprio, a feliz colheita porvindoura.
Não se pode conseguir de um para outro momento a li¬berdade, nem a herdar das gerações passadas. Cada indiví¬duo a conquista lentamente, acumulando experiências que amadurecem o discernimento e a razão de que se utiliza no momento de vivenciá-la.
Ela começa na escolha de si próprio, conforme o enunci¬ado cristão do “amar ao próximo como a si mesmo” se ama, por quanto não existindo este sentimento pessoal de respeito à própria individualidade, que propõe os limites dos direitos na medida dos deveres executados, não se pode esperar con¬sideração aos valores alheios, com a conseqüente liberdade dos outros indivíduos.
Esse amor a si mesmo ergue o homem aos patamares su¬periores da vida que a sua consciência idealista descortina e o seu esforço produz. Meta a meta, ele ascende, fazendo op¬ções mais audaciosas no campo do belo, do útil, do humano, deixando pegadas indicadoras para os indecisos da retaguar-da. Sua personalidade se ilumina de esperança e a sua condu¬ta se permeia de paz.
Lentamente, são retiradas as aparências do conveniente social, do agradável estatuído, do conforme desejado, para que a legítima identidade apareça e o homem se torne o que realmente e.
É claro que nos referimos às expressões de engrandeci¬mento que, normalmente, permanecem enclausuradas no ín¬timo sem oportunidade de exteriorizar-se, soterradas, às ve¬zes, sob sucessivas camadas de medo, de indiferença, de aco¬modação.
Muitos homens temem ser conhecidos nos seus sentimen¬tos éticos, nos seus esforços de saudável idealismo, tacha¬dos, esses valores, pelos pigmeus morais, encarcerados no exclusivismo das suas paixões, como sentimentalismos, pie¬guices, fraquezas de caráter.
Confundem coragem com impulsividade e força com ex¬pressões do poder, da dominação.
Porque vivem sem liber¬dade, desdenham os homens livres.
Na consciência profunda está ínsita a verdadeira liberda¬de, que deve ser buscada mediante o mergulho no âmago do ser e a reflexão demorada, propiciadora do autoconhecimen¬to.
Em realidade o homem é livre e nasceu para preservar este estado.
Não tem limites a conquista da liberdade, porqüanto ele pode, embora não deva, optar por preservar ou não o corpo, através do suicídio espetacular ou escamoteado, na recusa consciente ou não de continuar a viver.
Não se decidindo, porém, em preservar esse atributo, sus¬tentando ou melhorando as estruturas psicológicas, sofre os efeitos do relacionamento social pressionador, e tomba nos meandros da turbulência dos dias que vive.
Esvaziados de objetivos elevados, os movimentos dos grupos sociais como dos indivíduos proporcionam a anar¬quia, que se mascara de liberdade, destacando-se a violência de um lado e o conformismo de outro, sem um relaciona¬mento saudável entre as criaturas. Dissimulam-se os senti¬mentos para se apresentarem bem, conforme o figurino vi¬gente, detestando-se fraternalmente e vivendo a competição frenética e desgastante para cada qual alcançar a supremacia no grupo, agradando o ego atormentado.
Apesar de acumularem haveres pregando o existencialis¬mo comportamental, esses vitoriosos permanecem vazios, sem ideal, sem consciência ética, mumificados nas ambições e presos aos desejos que nunca satisfazem.
Desencadeia-se um distúrbio no conjunto social, que afe¬ta o homem, por sua vez perturbando mais o grupo, em círcu¬lo vicioso, no qual a causa, gerando efeitos, estes se tornam novas causas de tribulação.
Reverter o sistema injusto e desgastante, no qual se mede e valoriza o homem pelo que tem, e não pelo que é, em razão do que pode, não do que faz, é o compromisso de todo aquele que é livre.
A desordenada preocupação por adquirir, a qualquer pre¬ço, equipamentos, veículos, objetos da propaganda alucina¬da; a ansiedade para ser bem-visto e acatado no meio social; o tormento para vestir-se de acordo com a moda exigente; a inquietação para estar bem informado sobre os temas sem profundidade de cada momento transtornam o equilíbrio emocional da criatura, arrojando-a aos abismos da perda da identidade, à desestruturação pessoal, à confusão de valores.
Homens-aparência, tornam-se quase todos. Calmos ou não, fortes ou fracos, ricos ou pobres enxameiam num con¬texto confuso, sem liberdade, no entanto, em regime político e social de liberdade, atulhados de ferramentas de trabalho como de lazer, desmotivados e automatistas, sem rumo. Pros¬seguem, avançando — ou caminhando em círculo? — desnor¬teados na grande horizontal das conquistas de fora, temendo a verticalidade da interiorização realmente libertadora.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Feliz Aniversário!


Aos aniversariantes deste mês,Parabéns

A excelência do Amor


O processo de evolução do ser tem sido penoso, alongan¬do-se pelos milênios sob o impositivo da fatalidade que o con¬duzirá à perfeição.
Dos automatismos primevos nas fases iniciais da busca da sensibilidade, passou para os instintos básicos até al¬cançar a íntelígêncía e a razão, que o projetarão em patamar de maior significado , quando a sua comunicação se fará, mente a mente, adentrando -se, a partir dai; pelos campos vibratóri¬os da intuição.
Preservando numa fase a herança das anteriores, o me¬canismo de fixação das novas conquistas e superaçdo das an¬teriores, torna-se um desafio que lhe cumpre vencer.
Quanto mais largo foi o estágio no patamar anterior, mais fortes permanecem os atavismos e mais dificeis as adaptações aos valiosos recursos que passa a utilizar.
Porque o trânsito no instinto animal foi de demorada aprendizagem, na experiência humana ainda predominam aqueles fatores afligentes que a lógica, o pensamento lúcido e a razão se empenham por substituir.
Agir, evitando reagir; pensar antes de atuar; reflexionar como passo inicial para qualquer empreendimen¬to; promover a paz, ao invés de investir na violência constituem os passos decisivos para o comportamento saudável.
A herança animal, no entanto, que o acostumara a to¬mar, a impor-se, a predominar, quando mais/arte, se trans¬formou em conflito psicológico, quando no convívio social inteligente as circunstâncias não facultaram esse procedimen¬to primitivo.
Por outro lado, os fatores endógenos — hereditarieda¬de, doenças degenerativas e suas seqüelas —, assim como aqueles de natureza exógena — conflitos familiares, pres¬sões psicossociaís, religiosas, culturais, sócio-econômicas, de relacionamento interpessoal — e os traumatismos cra¬nianos, respondem pelos transtornos psicológicos e pelos distúrbios psiquiátricos que assolam a sociedade e desar¬ticulam os indivíduos.
Criado o Espírito simples, para adquirir experiências a esforço próprio, e renascendo para aprimorar-se, as realiza¬ções se transferem de uma para outra vivência, dando curso aos impositivos da evolução que, enquanto não viger o amor, se imporão através dos processos aflitivos.
Inevitavelmente, porém, momento surge, no qual há um despertamento para a emoção superior e o amor brota, a prin¬cípio como impulso conflitivo, para depois agigantar-se de forma excelente, preenchendo os espaços emocionais e libe¬rando as tendências nobres, enquanto dilui aquelas de natu-reza inferior.
O sexo, nesse imenso painel de experiências, na condi¬ção de atavismo predominante dos instintos primários essen¬ciais, desempenha papel importante no processo da saúde psicológica e mental, não olvidando também a de natureza física.
Pela exigência reprodutora, domina os campos das ne¬cessidades do automatismo orgânico tanto quanto da emoção, tornando-se fator de desarmonia, quando descontrolado, ou precioso contributo para a sublimação, se vivencíaddo pelo amor.
Psicopatologias graves ou superficiaís têm sua origem na conduta sexual frustrante ou atormentada, insegura ou instável, em razão das atitudes anteriores que promoveram os conflitos que decorrem daquelas atitudes infelizes.
Nesse capítulo, a hereditariedade, a família, a presença da mãe castradora ou superprotetora, todos os fenômenos perimatais perturbadores são conseqüências das referidas ações morais pretéritas.
As terapias psicológicas, psicanalíticas e psiquiátricas, de acordo com cada psicopatologia, dispõem de valioso arse¬nal de recursos que, postos em prática, liberam as multidões de enfermos, gerando equilíbrio e paz.
Não obstante, a contribuição psicoterapêutica do amor é de inexcedível resultado, por direcionar-se ao Si profundo, restabelecendo o interesse do paciente pelos obgetivos saudá¬veis da vida, de que se díssocira.
O amor tem sido o grande modificador da cultura e da cívilização, embora ainda remanesçam costumes bárbaros que facultam a eclosão de tormentos emocionais complexos...
O imperador Honório, por exemplo, que governava Roma e seus domínios, era jovem, algo idiota, covarde e pusilâni¬me, conforme narra a História. No entanto, pressionado por cristãos eminentes, discípulos do Amor, fecho as escolas de gladiadores no ano de 399, onde se preparavam homicidas legais.
Quando os gados ameaçavam invadir a capital do Impé¬rio, o general Atilicho, em nome do governante e do povo, os bateu em sangrentas batalhas, expulsando-os de volta às re¬giões de origem em 403.
Ao serem celebradas essas vítórias no Coliseu — o monu¬mental edifício sólido que comportava cinqüenta mil expec¬tadores e propiciava espetáculos variados quão formidandos — estavam programadas cerimônias várias e esplendorosas como: corridas de bigas e quadrigas, desfiles, musicais, baila-dos... Por fim, em homenagem máxima ao Imperador e ao General, foram exibidas lutas de gladiadores, que se deveri¬am matar.
No auge da exaltação da massa, quando os primeiros lutadores se apresentaram na arena, um homem humilde ati¬rou-se das galerias entre eles e começou a suplicar-lhes que não se matassem...
O estupor tomou conta da multidão que, logo recupe¬rando a ferocídade, pôs-se a atirar-lhe pedras e tudo quanto as mãos alcançassem, ao tempo em que pedúim a morte do intruso, de imediato assassinado para delírio geral...
Apesar do terrível desfecho, aquele foi o último espetá¬culo dantesco do gênero, e em 404, as lutas de gladiadores foram finalmente abolidas.
O sacrifício de amor do anônimo foi responsável pela radical mudança de hábitos na época.
Ressurgiram, sem dúvida, de forma diferente, naquelas denominadas marciais, no Oriente, e de boxe, no Ocidente, porque ainda predominam os instintos primitivos, mas serão proibidas em futuro não distante, como resultado da força do amor...
Assim também as guerras, as lutas fratricidas, os con¬flitos domésticos e sociais, quando a consciência de justiça suplantar as tendências destrutivas...
... O amor vencerá!

*

Examinamos, no presente livro, várias psicopatologias e conflitos hodíernos, recorrendo a admiráveis especialistas nessa área, a quem respeitamos; no entanto, colocamos uma ponte espiritual entre as suas terapias valiosas e o amor, con¬forme a visão espírita, herdada do Psicoterapeuta galileu.
Reconhecemos que não apresentamos qualquer origina¬lidade, que ainda não haja sido proposta. Dispusemo-nos, no entanto, a contribuir com apontamentos que esperamos pos¬sam ajudar a evitar a instalação de diversos conflitos naque¬les que ainda não os registrou e auxiliar quem os padece, ofe-recendo-lhes experiências e informações, talvez ainda não ten¬tadas que, certamente, contribuirão de forma eficaz para a conquista da saúde integral.
Tranqüila, por havermos cumprido com o dever da solidariedade que deflui do amor, almejamos que os nossos lei¬tores possam recolher algo de útil e de valioso do nosso esfor¬ço de bem servir conforme aqui exposto.

Salvador, 18 de maio de 1998.
Joanna de Ãngelis

Liberdadde


As pressões constantes geradoras de medo, não raro ex¬trapolam em forma de violência propondo a liberdade.
Sentindo-se coarctado nos movimentos, o animal reage àprisão e debate-se até à exaustão, na tentativa de libertar-se. Da mesma forma, o homem, sofrendo limites, aspira pela amplidão de horizontes e luta pela sua independência.
É perfeitamente normal o empenho do cidadão em favor da sua libertação total, passo esse valioso na conquista de si mesmo. Todavia, pouco esclarecido e vitimado pelas com-pressões que o alucinam, utiliza-se dos instrumentos da re¬beldia, desencadeando lutas e violência para lograr o que as¬pira como condição fundamental de felicidade.
A violência porém, jamais oferece a liberdade real.
Arranca o indivíduo da opressão política, arrebenta-lhe as injunções caóticas impostas pela sociedade injusta, favo¬rece-o com terras e objetos, salários e haveres.
Isto, porém, não é a liberdade, no seu sentido profundo.
São conquistas de natureza diferente, nas áreas das ne¬cessidades dos grupos e aglomerados humanos, longe de ser
a meta de plenitude, talvez constituindo um meio que faculte
a realização do próximo passo, que é o do autodescobrimen¬to.
A violência retém, porém não doa, já que sempre abre perspectivas para futuros embates sob a ação de maiores cru¬eldades.
As guerras, que se sucedem, apóiam-se nos tratados de paz mal formulados, quando a violência selou, com sujeição, o destino da nação ou do povo submetido...
O instinto de rebeldia faz parte da psique humana.

A criança que se obstina usando a negativa, afirma a sua identidade, exteriorizando o anseio inconsciente de ser livre. Porque carece de responsabilidade, não pode entender o que tal significa.
Somente mediante a responsabilidade, o homem se liber¬ta, sem tornar-se libertino ou insensato.
A sociedade, que fala em nome das pessoas de sucesso, estabelece que a liberdade é o direito de fazer o que a cada qual apraz, sem dar-se conta de que essa liberação da vonta¬de, termina por interditar o direito dos outros, fomentando as lutas individuais, dos que se sentem impedidos, espocando nas violências de grupos e classes, cujos direitos se encon¬tram dilapidados.
Se cada indivíduo agir conforme achar melhor, conside¬rando-se liberado, essa atitude trabalha em favor da anarquia, responsável por desmandos sem limites.
Em nome da liberdade, atuam desonestamente os vende¬dores das paixões ignóbeis, que espalham o bafio criminoso das mercadorias do prazer e da loucura.
A denominada liberação sexual, sem a correspondente maturidade emocional e dignidade espiritual, rebaixou as fon¬tes genésicas a paul venenoso, no qual, as expressões aber¬rantes assumem cidadania, inspirando os comportamentos alienados e favorecendo a contaminação das enfermidades degenerativas e destruidoras da existência corporal. Ao mes¬mo tempo, faculta o aborto delituoso, a promiscuidade mo¬ral, reconduzindo o homem a um estágio de primarismo dan¬tes não vivenciado.
A liberdade de expressão, aos emocionalmente desajus¬tados, tem permitido que a morbidez e o choque se revelem com mais naturalidade do que a cultura e a educação, por enxamearem mais os aventureiros, com as exceções compre¬ensíveis, do que os indivíduos conscientes e responsáveis.
A liberdade é um direito que se consolida, na razão direta em que o homem se autodescobre e se conscientiza, podendo identificar os próprios valores, que deve aplicar de forma edificante, respeitando a natureza e tudo quanto nela existe.
A agressão ecológica, em forma de violencia cruel contra as forças mantenedoraS da vida, demonstra que o homem, em nome da sua liberdade, destrói, mutila, mata e mata-se, por fim, por não saber usá-la conforme seria de desejar.
A liberdade começa no pensamento, como forma de aspi¬ração do bom, do belo, do ideal que são tudo quanto fomenta a vida e a sustenta, dá vida e a mantém.
Qualquer comportamento que coage, reprimes viola é ad¬versário da liberdade.
Examinando o magno problema da liberdade, Jesus sin¬tetizou os meios de consegui-la, na busca da verdade, única opção para tornar o homem realmente livre.
A verdade, em síntese, que é Deus — e não a verdade con¬veniente de cada um, que é a forma doentia de projetar a pró¬pria sombra, de impor a sua imagem, de submeter à sua, a vontade alheia — constitui meta prioritária.
Deus, porém, está dentro de todos nós, e é necesSário imergir na Sua busca, de modo que O exteriorizemos sobran¬ceiro e tranqüilizador.
As conquistas externas atulham as casas e os cofres de coisas, sem torná-los lares nem recipientes de luz, destituí¬dos de significado, quando nos momentos magnos das gran¬des dores, dos fortes dissabores, da morte, que chegam a to¬dos...
A liberdade, que se encerra no túmulo, é utópiCa, menti¬rosa.
Livre, é o Espírito que se domina e se conquista. movi¬mentando-se com sabedoria por toda parte, idealista e amo¬roso, superando as injunções pressionadoras e amesquinhantes.
Ghandi fez-se o protótipo da liberdade, mesmo quando nas várias vezes em que esteve encarcerado, informando que “não tinha mensagem a dar. A minha mensagem é a minha vida.”
Antes dele, Sócrates permaneceu em liberdade, embora na prisão e na morte que lhe adveio depois.
E Cristo, cuja mensagem é o amor que liberta, prosse¬gue ensinando a eficiente maneira de conquistar a liberdade.
Nenhuma pressão de fora pode levar à falta de liberdade, quando se conseguir ser lúcido e responsável interiormente, portanto, livre.
Não se justifica, deste modo, o medo da liberdade, como efeito dos fatores extrínsecos, que as situações políticas, so¬ciais e econômicas estabelecem como forma espúria de fazer que sobrevivam as suas instituições, subjugando aqueles que vencem. O homem que as edifica, dá-se conta, um dia, que dominando povos, grupos, classes ou pessoas também não é livre, escravo, ele próprio, daqueles que submete aos seus caprichos, mas lhe roubam a opção de viver em liberdade.
Não há liberdade quando se mente, engana, impõe e atrai¬çoa.
A liberdade é uma atitude perante a vida.
Assim, portanto, só há liberdade quando se ama consci¬entemente.

Solidão


Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.
A necessidade de relacionamento humano, como meca¬nismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensí¬veis e em todos quantos enfrentam problemas para um inter¬câmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.
Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos.
A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a bene¬fício de outrem.
O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consi¬deração e respeito ou conceda ao próximo este apoio que gostaria de fruir.
A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o pane¬gírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepulta os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.
O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.
O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, an¬tes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas.
Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentiro¬sa, trabalhada em estúdios artificiais.
Parece muito importante, no comportamento social, rece¬ber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a esta¬dos de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.
O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado, atirado à solidão.
Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentando, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictí¬ci a.
A conquista desse triunfo e a falta dele produzem soli¬dão.
O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspi¬rações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição.
A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo.
Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.
Campeia, assim, o “medo da solidão”, numa demonstra¬ção caótica de instabilidade emocional do homem, que pare¬ce haver perdido o rumo, o equilíbrio.
O silêncio, o isolamento espontâneo são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto-aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.
O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, tal¬vez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.
Os campeões de bilheteria nos shows, nas rádios, televi¬sões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.
Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e so¬litários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os en¬volvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos de¬rivativos que os mantêm sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e huma¬nos.
A neurose da solidão é doença contemporânea, que ame¬aça o homem distraído pela conquista dos valores de peque¬na monta, porque transitórios.
Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandeci¬mento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos ani¬mais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.
O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encon¬trar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.
A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o pra¬zer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.
O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar, à confian¬ça nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.
Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, ao sugerir o “amor ao próximo como a si mesmo” após o “amor a Deus” como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocu-pação de receber resposta equivalente.
O homem solidário, jamais se encontra solitário.
O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.
Possívelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estão cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior.
A fé no futuro, a luta por conseguir a paz íntima — eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.

Medo


Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pres¬sões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo as¬salta o homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão.
Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza, de idealismo, de afetividade da criatura.
Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios just ificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um com¬portamento alienado, que termina por apresentar-se igualmen¬te patológico.
As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em luga¬res quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, per¬dendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.
Os valores da nossa sociedade encontram-se em xeque, porque são transitórios.
Há uma momentânea alteração de conteúdo, com a con¬seqüente perda de significado.
A nova geração perdeu a confiança nas afirmações do passado e deseja viver novas experiências ao preço da aluci¬nação, como forma escapista de superar as pressões que so¬fre, impondo diferentes experiências.
No âmago das suas violações e protestos, do vilipêndio aos conceitos anteriores vige o medo que atormenta e sub¬mete às suas sombras espessas.
A quantidade expressiva de atemorizados trabalha a qua¬lidade do receio de cada um, que cresce assustadoramente, comprimindo a personalidade, até que esta se libere em des¬regramento agressivo, como forma de escapar à constrição.
Quem, porém, não consiga seguir a correnteza da nova ordem, fica afogado no rio volumoso, perde o respeito por si mesmo, aliena-se e sucumbe.
Na luta furiosa, as festas ruidosas, as extravagâncias de conduta, os desperdícios de moedas e o exibicionismo com que algumas pessoas pensam vencer os medos íntimos, ape¬nas se transformam em lâminas baças de vidro pelas quais observam a vida sempre distorcida, face à óptica incorreta que se permitem. São atitudes patológicas decorrentes da fra¬gilidade emocional para enfrentar os desafios externos e in¬ternos.
A consumação da sociedade moderna é a história da desí¬dia do homem em si mesmo, enlanguescido pelos excessos ou esfogueado pelos desejos absurdos.
Adaptando-se às sombras dominadoras da insensatez, neglicencia o sentido ético gerador da paz.
A anarquia então impera, numa volúpia destrutiva, ten¬tando apagar as memórias do ontem, enquanto implanta a tirania do desconcerto.
Os seus vultos expressivos são imaturos e alucinados, em cuja rebelião pairam o oportunismo e a avidez.
Procedentes dos guetos morais, querem reverter a ordem que os apavora, revolucionando com atrevimento, face ao insólito, o comportamento vigente.
Os antigos ídolos, que condenaram a década de 20 e 30 como a da “geração perdida”, produziram a atual “era da in¬segurança”, na qual malograram as profecias exageradamen¬te otimistas dos apaniguados do prazer em exaustão, fabri¬cando os super-homens da mídia que, em análise última, são mais frágeis do que os seus adoradores, pois que não passam de heróis da frustração.
Guindados às posições de liderança, descambaram, esses novos condutores, em lamentáveis desditas, consumidos pe¬las drogas, vencidos pelas enfermidades ainda não controla¬das, pelos suicídios discretos ou espetaculares.
A alucinação generalizada certamente aumenta o medo nos temperamentos frágeis, nas constituições emocionais de pouca resistência, de começo, no indivíduo, depois, na soci¬edade.
Esta é uma sociedade amedrontada.
As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais.
O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade humana produziram a avalanche dos recei¬os.
A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia re¬duzindo as distâncias arrebataram a fictícia segurança indivi¬dual, que os grupos passaram a controlar, e as conseqüências da insânia que cresce são imprevistas.
Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de condu¬ta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no or¬ganismo social e individual necrosado.
Todavia, é no cerne do ser — o Espírito — que se encon¬tram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo.
Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passa¬das — reencarnações fracassadas —, nas quais a culpa não foi liberada, face ao crime haver permanecido oculto, ou dissi¬mulado, ou não justiçado, transferindo-se a consciência fal¬tosa para posterior regularização.
Ocorrências de grande impacto negativo, pavores, urdi-duras perversas, homicídios programados com requintes de crueldade, traições infames sob disfarces de sorrisos produ¬ziram a atual consciência de culpa, de que padecem muitos atemorizados de hoje, no inter-relacionamento pessoal.
Outrossim, catalépticos sepultados vivos, que desperta¬ram na tumba e vieram a falecer depois, por falta de oxigê¬nio, reencarnam-se vitimados pelas profundas claustrofobi¬as, vivendo em precárias condições de sanidade mental.
O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, predispondo-o, por somatização, a enfermidades di¬versas que aguardam correta diagnose e específica terapêuti¬ca.
À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé religiosa racional, na certeza da sua imortalida¬de, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e huma¬niza-se definitivamente, vencendo o medo e os seus sequa¬zes, sejam de ontem ou de agora.

A ansiedade


Não se deixando vitimar pela rotina, o homem tende, às vezes, a assumir um comportamento ansioso que o desgasta, dando origem a processos enfermiços que o consomem.
A ansiedade é uma das características mais habituais da conduta contemporânea.
Impulsionado ao competitivismo da sobrevivência e es¬magado pelos fatores constringentes de uma sociedade etica¬mente egoísta, predomina a insegurança no mundo emocio¬nal das criaturas.
As constantes alterações da Bolsa de Valores, a compres¬são dos gastos, a correria pela aquisição de recursos e a dis¬puta de cargos e funções bem remunerados geram, de um lado, a insegurança individual e coletiva. Por outro, as amea¬ças de guerras constantes, a prepotência de governos inescru-pulosos e chefes de atividades arbitrários quão ditadores; os anúncios e estardalhaços sobre enfermidades devastadoras; os comunicados sobre os danos perpetrados contra a ecolo¬gia prenunciando tragédias iminentes; a catalogação de cri¬mes e violências aterradoras respondem pela inquietação e pelo medo que grassam em todos os meios sociais, como cons¬tante ameaça contra o ser e o seu grupo, levando-os a perma¬nente ansiedade que deflui das incertezas da vida.
Passando, de uma aparente segurança, que era concedida pelos padrões individualistas do século 19, no apogeu da industrialização, para o período eletrônico, a robotização ameaça milhões de empregados, que temem a perda de suas atividades remuneradas, ao tempo em que o coletivismo, igua¬lando os homens nas aparências sociais, nos costumes e nos hábitos, alija os estímulos de luta, neles instalando a incerte¬za, a necessidade de encontrar-se sempre na expectativa de notícias funestas, desagradáveis, perturbadoras.
Esvaziados de idealismo e comprimidos no sistema em que todos fazem a mesma coisa, assumem iguais compostu¬ras, passando de uma para outra pauta de compromisso com ansiedade crescente.
A preocupação de parecer triunfador, de responder de for¬ma semelhante aos demais, de ser bem recebido e considera¬do é responsável pela desumanização do indivíduo, que se torna um elemento complementar no grupamento social, sem identidade, nem individualidade.
Tendo como modelo personalidades extravagantes, que ditam modas e comportamento exóticos, ou liderado por ído¬los da violência, como da astúcia dourada, o descobrimento dos limites pessoais gera inquietação e conflitos que mal disfarçam a contínua ansiedade humana.
A ansiedade tem manifestações e limites naturais, perfei¬tamente aceitáveis.
Quando se aguarda uma notícia, uma presença, uma res¬posta, uma conclusão, é perfeitamente compreensível uma atitude de equilibrada expectativa.
Ao extrapolar para os distúrbios respiratórios, o colapso periférico, a sudorese, a perturbação gástrica, a insônia, o cli¬ma de ansiedade torna-se um estado patológico a caminho da somatização física em graves danos para a vida.
O grande desafio contemporâneo para o homem é o seu autodescobrimento.
Não apenas identificação das suas necessidades, mas, prin¬cipalmente, da sua realidade emocional, das suas aspirações legítimas e reações diante das ocorrências do cotidiano.
Mediante o aprofundamento das descobertas íntimas, al¬tera-se a escala de valores e surgem novos significados para a sua luta, que contribuem para a tranqüilidade e a autoconfi¬ança.
Não há, em realidade, segurança enquanto se transita no corpo físico.
A organização mais saudável durante um período, debili¬ta-se em outro, assim como os melhores equipamentos orgâ¬nicos e psíquicos sofrem natural desgaste e consumição, dan¬do lugar às enfermidades e à morte, que também é fenômeno da vida.
A ansiedade trabalha contra a estabilidade do corpo e da emoção.
A análise cuidadosa da existência planetária e das suas finalidades proporciona a vivência salutar da oportunidade orgânica, sem o apego mórbido ao corpo nem o medo de per¬dê-lo.
Os ideais espiritualistas, o conhecimento da sobrevivência à morte física tranqüilizam o homem, fazendo que consi¬dere a transitoriedade do corpo e a perenidade da vida, da qual ninguém se eximirá.
Apegado aos conflitos da competição humana ou deixan¬do-se vencer pela acomodação, o homem desvia-se da finali¬dade essencial da existência terrena, que se resume na aplica¬ção do tempo para a aquisição dos recursos eternos, propici¬adores da beleza, da paz, da perfeição.
O pandemônio gerado pelo excesso de tecnologia e de conforto material nas chamadas classes superiores, com ab¬soluta indiferença pela humanidade dos guetos e favelas, em promiscuidade assustadora, revela a falência da cultura e da ética estribada no imediatismo materialista com o seu arro¬gante desprezo pelo espiritualismo.
Certamente, ao fanatismo e proibição espiritualista de caráter medieval, que ocultavam as feridas morais dos ho¬mens, sob o disfarce da hipocrisia, o surgimento avassalador da onda de cinismo materialista seria inevitável. No entanto, o abuso da falsa cultura desnaturada, que pretendeu solucio¬nar os problemas humanos de profundidade como reparava os desajustes das engrenagens das máquinas que construiu, resultou na correria alucinada para lugar nenhum e pela con¬quista de coisas mortas, incapazes de minimizar a saudade, de preencher a solidão, de acalmar a ansiedade, de evitar a dor, a doença e a morte...
Magnatas, embora triunfantes, proíbem que se pronuncie o nome da morte diante deles.
Capitães de monopólios recusam-se a sair à rua, para evi¬tarem contágio de enfermidades, e alguns impõem, para vi¬ver, ambientes assepsiados, tentando driblar o processo de degeneração celular.
Ases da beleza cercam-se de jovens, receando a velhice, e utilizam-se de estimulantes para preservarem o corpo, apli¬cando-se massagens, exercícios, cirurgias plásticas, muscu¬lação e, não obstante, acompanham a degeneração física e mental, ansiosos, desventurados.
Propalando-se que as conquistas morais fazem parte das instituições vencidas — matrimônio, família, lar — os apani¬guados da loucura crêem que aplicam, na velha doença das proibições passadas, uma terapêutica ideal. E olvidam-se que o exagero de medicamento utilizado em uma doença, gera danos maiores do que aqueles que eram sofridos.
A sociedade atual sofre a terapia desordenada que usou na enfermidade antiga do homem, que ora se revela mais de¬bilitado do que antes.
São válidas, para este momento de ansiedade, de insatis¬fação, de tormento, as lições do Cristo sobre o amor ao pró¬ximo, a solidariedade fraternal, a compaixão, ao lado da ora¬ção, geradora de energias otimistas e da fé, propiciadora de equilíbrio e paz, para uma vida realmente feliz, que baste ao homem conforme se apresente, sem as disputas conflitantes do passado, nem a acomodação coletivista do presente.


A rotina


A natural transformação social, decorrente dos efeitos da ciência aliada à tecnologia a partir do século 19, impôs que o individualismo competitivo pós renascentista cedesse lugar ao coletivismo industrial e comunitário da atualidade.
A cisão decorrente do pensamento cartesiano, na dicoto¬mia do corpo e da alma, ensejou uma radical mudança nos hábitos da sociedade, dando surgimento a uma série de con¬flitos que irrompem na personalidade humana e conduzem a alienações perturbadoras.
Antes, os tabus e as superstições geravam comportamen¬tos extravagantes, e a falsa moral mascarava os erros que se tornavam fatores de desagregação da personalidade, a servi¬ço da hipocrisia refinada.
A mudança de hábitos, no entanto, se liberou o homem de algumas fobias e mecanismos de evasão perniciosos, im¬pôs outros padrões comportamentais de massificação, nos quais surgem novos ídolos e mitos devoradores, que respon¬dem por equivalentes fenômenos de desequilíbrio.
Houve troca de conduta, mas não de renovação saudável na forma de encarar-se a vida e de vivê-la.
De um lado, a ciência em constante progresso, não se fa¬zendo acompanhar por um correspondente desenvolvimento ético-espiritual, candidata-se a conduzir o homem ao milis¬mo, ao conceito de aniquilamento.
Noutro sentido, o contubérnio subjacente, apresenta um elenco exasperador de áreas conflitantes nas guerras e ame¬aças de guerras que se sucedem, nas variações da economia, nos volumosos bolsões de miséria de vária ordem, empur¬rando o homem para a ansiedade, a insegurança, a suspeição contumaz, a violência.
A fim de fugir à luta desigual — o homem contra a máqui¬na — os mecanismos responsáveis pela segurança emocional levam o indivíduo, que não se encoraja ao competitivismo doentio, à acomodação, igualmente enferma, como forma de sobrevivência no báratro em que se encontra, receando ser vencido, esmagado ou consumido pela massa crescente ou pelo desespero avassalador.
Estabelece algumas poucas metas, que conquista com re¬lativa facilidade, passando a uma existência rotineira e neu¬rotizante, que culmina por matar-lhe o entusiasmo de viver, os estímulos para enfrentar desafios novos.
Rotina é como ferrugem na engrenagem de preciosa ma¬quinaria, que a corrói e arrebenta.
Disfarçada como segurança, emperra o carro do progres¬so social e automatiza a mente, que cede o campo do raciocí¬nio ao mesmismo cansador, deprimente.
O homem repete a ação de ontem com igual intensidade hoje; trabalha no mesmo labor e recompõe idênticos passos; mantém as mesmas desinteressantes conversações: retorna ao lar ou busca os repetidos espairecimentos: bar, clube, tele¬visão, jornal, sexo, com frenético receio da solidão, até al¬cançar a aposentadoria.. - Nesse ínterim, realiza férias progra-madas, visita lugares que o desagradam, porém reúne-se a outros grupos igualmente tediosos e, quando chega ao denominado período do gozo-repouso, deixa-se arrastar pela inu¬tilidade agradável, vitimado por problemas cardíacos, que resultam das pressões largamente sustentadas ou por neuro-ses que a monotonia engendra.
O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras.
A sua vida é resultado de bilhões de anos de transforma¬ções celulares, sob o comando do Espírito, que elaborou equi¬pamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige.
O trabalho constitui-lhe estímulo aos valores que lhe dor¬mem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdo¬bramento.
Deixando que esse potencial permaneça inativo por indo¬lência ou rotina, a frustração emocional entorpece os sentimentos do ser ou leva-o à violência, ao crime, como processo de libertação da masmorra que ele mesmo construiu, nela encarcerando-se.
Subitamente, qual correnteza contida que arrebenta a bar¬ragem, rompe os limites do habitual e dá vazão aos conflitos, aos instintos agressivos, tombando em processos alucinados de desequilíbrios e choque.
Nesse sentido, os suportes morais e espirituais contribu¬em para a mudança da rotina, abrindo espaços mentais e emo¬cionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidarieda¬de, dos serviços de enobrecimento humano.
O homem se deve renovar incessantemente, alterando para melhor os hábitos e atividades, motivando-se para o aprimo¬ramento íntimo, com conseqüente movimentação das forças que fomentam o progresso pessoal e comunitário, a benefí¬cio da sociedade em geral.
Face a esse esforço e empenho, o homem interior sobrepõe-se ao exterior, social, trabalhado pelos atavismos das re¬pressões e castrações, propondo conceitos mais dignos de convivência humana, em consonância com as ambições es¬pirituais que lhe passam a comandar as disposições íntimas.
O excesso de tecnologia, que aparentemente resolveria os problemas humanos, engendrou novos dramas e conflitos comportamentais, na rotina degradante, que necessitam ser reexaminados para posterior correção.
O individualismo, que deu ênfase ao enganoso conceito do homem de ferro e da mulher boneca, objeto de luxo e de inutilidade, cedeu lugar ao coletivismo consumista, sem iden¬tidade, em que os valores obedecem a novos padrões de críti¬ca e de aceitação para os triunfos imediatos sob os altos pre¬ços da destruição do indivíduo como pessoa racional e livre.
A liberdade custa um alto preço e deve ser conquistada na grande luta que se trava no cotidiano.
Liberdade de ser e atuar, de ter respeitados os seus valo¬res e opções de discernir e aplicar, considerando, naturalmente, os códigos éticos e sociais, sem a submissão acomodada e indiferente aos padrões de conveniência dos grupos domi¬nantes.
A escala de interesses, apequenando o homem, brinda-o com prêmios que foram estabelecidos pelo sistema desuma¬no, sem participação do indivíduo como célula viva e pen¬sante do conjunto geral.
Como profilaxia e terapêutica eficaz, existem os desafios propostos por Jesus, que são de grande utilidade, induzindo a criatura a dar passos mais largos e audaciosos do que aqueles que levam na direção dos breves objetivos da existência ape¬nas material.
A desenvoltura das propostas evangélicas facilita a rup¬tura da rotina, dando saudável dinâmica para uma vida inte¬gral em favor do homem-espírito eterno e não apenas da má¬quina humana pensante a caminho do túmulo, da dissolução, do esquecimento.


Fatores de pertubação



A segunda metade do Século 19 transcorre numa Eurá¬sia sacudida pelas contínuas calamidades guerreiras, que se sucedem, truanescas, dizimando vidas e povos.
As admiráveis conquistas da Ciência que se apóia na Tec¬nologia, não logram harmonizar o homem belicoso e insatis¬feito, que se deixa dominar pela vaga do materialismo-utili¬tarista, que o transforma num amontoado orgânico que pen¬sa, a caminho de aniquilamento no túmulo.
Possuir, dominar e gozar por um momento, são a meta a que se atira, desarvorado.
Mal se encerra a guerra da Criméia, em 1856, e já se in¬quietam os exércitos para a hecatombe franco-prussiana, cu¬jos efeitos estouram em 1914, envolvendo o imenso conti¬nente na loucura selvagem que ameaça de consumição a tudo e a todos.
O Armistício, assinado em nome da paz, fomentou o ex¬plodir da Segunda Guerra Mundial, que sacudiu o Orbe em seus quadrantes.
Somando-se efeitos a novas causas, surge a Guerra Fria, que se expande pelo sudeste asiático em contínuos conflitos lamentáveis, em nome de ideologias alienígenas, disfarçadas de interesses nacionais, nos quais, os armamentos superados são utilizados, abrindo espaços nos depósitos para outros mais sofisticados e destrutivos...
Abrem-se chagas purulentas que aturdem o pensamento, dores inomináveis rasgam os sentimentos asselvajando os indivíduos.
O medo e o cinismo dão-se as mãos em conciliábulo ir¬reconciliável.
A Guerra dos seis dias, entre árabes e judeus, abre sulcos profundos na economia mundial, erguendo o deus petróleo a uma condição jamais esperada.
Os holocaustos sucedem-se.
Os crimes hediondos em nome da liberdade se acumulam e os tribunais de justiça os apóiam.
O homem é reduzido à ínfima condição no “apartheid”, nas lutas de classes, na ingestão e uso de alcoólicos e drogas alucinógenas como abismo de fuga para a loucura e o suici¬dio.
Movimentos filosóficos absurdos arregimentam as men¬tes jovens e desiludidas em nome do Nadaísmo, do Existen¬cialismo, do Hippieísmo e de comportamentos extravagantes mais recentes, mais agressivos, mais primários, mais violen¬tos.
O homem moderno estertora, enquanto viaja em naves superconfortáveis fora da atmosfera e dentro dela, vencendo as distâncias, interpretando os desafios e enigmas cósmicos.
A sonda investigadora penetra o âmago da vida micros¬cópica e abre todo um universo para informações e esclareci¬mentos salvadores.
Há esperança para terríveis enfermidades que destruíram gerações, enquanto surgem novas doenças totalmente pertur¬badoras.
A perplexidade domina as paisagens humanas.
A gritante miséria econômica e o agressivo abandono so¬cial fazem das cidades hodiernas o palco para o crime, no qual a criatura vale o que conduz, perdendo os bens materiais e a vida em circunstâncias inimagináveis.
Há uma psicosfera de temor asfixiante enquanto emerge do imo do homem a indiferença pela ordem, pelos valores éticos, pela existência corporal.
Desumaniza-se o indivíduo, entregando-se ao pavor, ou gerando-o, ou indiferente a ele.
Os distúrbios de comportamento aumentam e o despauté¬rio desgoverna.
Uma imediata, urgente reação emocional, cultural, religi¬osa, psicológica, surge, e o homem voltará a identificar-se consigo mesmo.
A sua identidade cósmica é o primeiro passo a dar, abrin¬do-se ao amor, que gera confiança, que arranca da negação e o irisa de luz, de beleza, de esperança.
A grande noite que constringe é, também, o início da al¬vorada que surge.
Neste homem atribulado dos nossos dias, a Divindade deposita a confiança em favor de uma renovação para um mundo melhor e uma sociedade mais feliz.
Buscar os valores que lhe dormem soterrados no íntimo é a razão de sua existência corporal, no momento.
Encontrar-se com a vida, enfrentá-la e triunfar, eis o seu fanal.

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O homem Integral

O Homem Integral

As enciclopédias definem o homem como um “animal racional, moral e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica; ser humano...”
O momento mais eloqüente do seu processo evolutivo deu-se quando adquiriu a consciência para discernir o bem do mal, a verdade da impostura, o certo do errado, prosseguindo na marcha ascensional que o conduzirá às culminâncias da angelitude.
Estudado largamente através dos séculos, Pitágoras afir¬mava que ele (o homem) é a medida de todas as coisas, en¬quanto Sócrates elucidava ser o objeto mais direto da preo¬cupação filosófica.
Durante o estoicismo e o neoplatonismo houve uma pre¬ocupação para que ocorresse a “dissolução do homem em a Natureza”, mesmo aí revelando a grande preocupação de ambas as escolas com este ser admirável.
Na conceituação cristã ele “transcende o mundo”, em uma dimensão totalmente diferente desta.
Já o racionalismo o considera, desde Descartes, como o “ser pensante por excelência, como a razão que compreende e explica o mundo e a si mesma.”
No espiritualismo idealista o “espírito tem a primazia em tudo que se relaciona com o mundo e a vida humana”, en¬quanto que para o materialismo o “espírito não é mais que uma forma de atividade da matéria que, em determinada fase de sua evolução, de formas simples para outras mais comple¬xas, adquiriu consciência...”
Mivart, o célebre naturalista inglês, analisando, psicolo¬gicamente, o homem, esclarece que ele “difere dos outros animais pelas características da abstração, da percepção inte¬lectual, da consciência de si mesmo, da reflexão, da memória racional, do julgamento, da síntese e indução intelectual, do raciocínio, da intuição intelectual, das emoções e sentimen¬tos superiores, da linguagem racional, do verdadeiro poder de vontade.”
Sócrates e Platão estabeleceram que o homem era o re¬sultado do ser ou Espírito imortal e do não ser ou sua matéria que, unidos, lhe facultavam o processo de evolução.
Os filósofos atomistas reduziam-no ao capricho das par¬tículas que, em se desarticulando, aniquilavam-se através do fenômeno biológico da morte.
Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido to¬das as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia.
Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real.
A Filosofia, mediante as suas diversas escolas, tem pro¬curado oferecer ao homem caminhos que o felicitem em con¬tínuas tentativas de interpretar a vida e entendê-lo.
A Psicologia, que inicialmente se confundia com a estru¬tura filosófica, de passo em passo libertou-se de seu jugo e, buscando estudar a psique, alcançou, na atualidade, expres¬são de relevo para a compreensão do homem, dos seus pro¬blemas e seus desafios psicológicos.
A multiplicidade de tendências ora vigentes, nessa área, comprova o interesse dos estudiosos desta e de outras disci¬plinas do conhecimento, buscando a libertação do indivíduo em relação aos desafios e dificuldades que o afligem.
Algo recentemente (1966) surgiu, nos Estados Unidos, a quarta força em Psicologia, que é a Transpessoal, ampliando o campo de investigação além do Behaviorismo, da Psicaná¬lise e da Psicologia Humanista, fornecendo mais amplos es¬clarecimentos sobre o homem integral...
Os seus pioneiros vieram dos quadros da Psicologia Hu¬manista, facultando a introdução de alguns ensinamentos e experiências orientais, graças aos quais abrem espaços para uma visão espiritualista do ser humano em maior profundi¬dade.
O Espiritismo, por sua vez, sintetizando diversas corren¬tes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve se¬guir.
Na presente Obra fazemos um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica, procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no equilí¬brio e no amadurecimento emocional, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem Integral de todos os tempos.
Embora reconheçamos singela a nossa contribuição, es¬peramos de alguma forma auxiliar aqueles que nos leiam com real desejo de renovação e de aquisição de saúde psicológica, consciente de havermos feito o máximo ao nosso alcance, neste grave momento da Humanidade.

Salvador, 20 de fevereiro de 1990.
Joanna de Ângelis

Convido a todos para juntos enveredarmos pelo mundo da Psicologia transpessoal,mergulhar em nossa mente e,tentarmos nos conhecermos melhor.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Origem da Festa Junina

Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).

Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.

Festas Juninas no Nordeste

Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.

Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas.

Comidas típicas

Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos.
Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

Tradições

As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.

No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros.

Já na região Sudeste são tradicionais a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.

Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.

História da Festa Junina e tradições
Origem da festa junina, história, tradições, festejos, comidas típicas, quermesses, dança da quadrilha, influência francesa, portuguesa, espanhola e chinesa, as festas no Nordeste, dia de Santo Antônio, São João e São Pedro, as simpatias de casamento e crendices populares, músicas típicas da época, os balões

desenho festa junina