segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Loucosss por LIVROS e FILMES: Promoções
Loucosss por LIVROS e FILMES: Promoções: PROMOÇÃO DE NATAL PROMOÇÃO DE 50 SEGUIDORES
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Mitos
A história do homem é a conseqüência dos mitos e cren¬dices que ele elaborou para a sobrevivência, para o seu pen¬samento ético.
Medos e ansiedades, aspirações e sofrimentos estereoti¬pam-se em fórmulas e formas mitológicas que lhe refletem o estágio evolutivo, em alguns deles perfeitamente consentâ¬neos com as suas conquistas contemporâneas.
As concepções indianas lendárias, as tradições templári¬as dos povos orientais, recuperam as suas formulações nas tragédias gregas, excelentes repositórios dos conflitos hu¬manos, que a mitologia expõe, ora com poesia, em momen¬tos outros com formas grotescas de dramas cruéis.
A vingança de Zeus contra Prometeu, condenado à puni¬ção eterna, atado a um rochedo, no qual, um abutre lhe devo¬rava o fígado durante o dia e este se refazia à noite para que o suplício jamais cessasse, humaniza o deus vingador e despei¬tado, porque o ser, que ele criara, ao descobrir o fogo, adqui-rira o poder de iluminar a Terra, tornando-se uma quase di¬vindade. O ciúme e a paixão humana cegaram o deus, que se enfureceu.
O criador desejava que o seu gerado fosse sempre um ino¬cente, ignorante, dependente, sem consciência ética, sem dis¬cernimento, a fim de que pudesse, o todo-poderoso, nele com-prazer-se.
A desobediência, ingênua e curiosa do ser criado, trouxe-lhe o ignóbil, inconcebível e imerecido castigo, caracterizan¬do a falência do seu gerador.
Com pequenas variações vemos a mesma representação em outros povos e doutrinas de conteúdo infantil, que se não dão conta ou não querem encontrar o significado real da vida, a sua representação profunda, castigando aqueles que lhe de¬sobedecem e preferem a idade adulta da razão, abandonando a infância.
O pensamento cartesiano, com o seu “senso prático”, deu-lhes o primeiro golpe e lentamente decretou a morte dos mitos e das crenças.
Se, de um lado, favoreceu ao homem que abandonasse a tradição dos feiticeiros, dos bichos-papões, das cegonhas tra¬zendo bebês, eliminou também as fadas madrinhas, os gêni¬os bons, os anjos-da-guarda. E quando já se acreditava na morte dos mitos, considerando-se as mentes adultas libera-das deles, eis que a tecnologia e a mídia criaram outros hodiernos: ¬ os super-homens, os He-man, os invasores marcia¬nos, os homens invisíveis, gerando personagens considera¬das extraordinárias para o combate contra o mal sem trégua em nome do bem incessante.
Concomitantemente, a robótica abriu espaços para que a imaginação ampliasse o campo mitológico e as máquinas ele¬trônicas, na condição de simuladores, produzissem novos heróis e ases vencedores no contínuo campeonato das com¬petições humanas.
O exacerbar do entusiasmo tornou a ficção uma realidade próxima, permitindo que os jovens modernos confundam as suas possibilidades limitadas com as remotas conquistas da fantasia.
Imitam os heróis das histórias em quadrinhos, tomam posturas semelhantes aos líderes de bilheteria, no teatro, no rádio, no cinema, na televisão e chegam a crer-se imortais físicos, corpos indestrutíveis ou recuperáveis pelos engenhos da biônica, igualmente fabricantes de seres imbatíveis.
Retorna-se, de certo modo, ao período em que os deuses desciam à Terra, humanizando-se, e os magos com habilida¬des místicas resolviam quaisquer dificuldades, dando mar¬gem a uma cultura superficial e vandálica de funestos resul¬tados éticos.
A violência, que irrompe, desastrosa, arma os novos Ram¬bos com equipamentos de vingança em nome da justiça, en¬frentando as forças do mal que se apresentam numa socieda¬de injusta, promovendo lutas lamentáveis, sem controle.
As experiências pessoais, resultado das conquistas éticas, cedem lugar aos modelos fabricados pela imaginação fértil, que descamba para o grotesco, fomentado o pavor, ironizan¬do os valores dignos e desprezando as Instituições.
A falência do individualismo industrial, a decadência do coletivismo socialista deram lugar a novas formas de afirmação, nas quais o inconsciente projeta os seus mitos e asse¬nhoreia-se da realidade, confundindo-a com a ilusão.
As virtudes apresentam-se fora de moda e a felicidade surge na condição de desprezo pelo aceito e considerado, ins¬tituindo a extravagância — novo mito — como modelo de auto-realização, desde que choque e agrida o convívio social.
O perdido “jardim do Éden” da mitologia bíblica reapare¬ce na grande satisfação do “fruto do pecado”, transformando a punição em prazer e desafiando, mediante a contínua deso¬bediência, o Implacável que lhe castigou o despertar da cons¬ciência.
Na sucessão de desmandos propiciados pelos mitos con¬temporâneos, toma corpo a saudade da paz — inocência re¬presentativa do bem — e a experiência, demonstrando a inevi¬tabilidade dos fenômenos biológicos do desgaste do cansa¬ço, do envelhecimento e da morte, propicia uma revisão cul¬tural com amadurecimento das vivências, induzindo o ser a uma nova busca da escala de valores realmente representati¬vos das aspirações nobres da vida.
A solidão e a ansiedade que os mitos mascaram, mas não eqüacionam, rompem a couraça de indiferença do homem pela sua profunda identidade, levando-o a um amadurecimento em que o grupo social dele necessita para sobreviver, tanto quanto lhe é importante, favorecendo-o com um intercâmbio de emoções e ações plenificadoras.
Os mitos, logo mais, cederão lugar a realidades que já se apresentam, no início, como símbolos de uma nova conquis¬ta desafiadora e que se incorporarão, a pouco e pouco, ao cotidiano, ensinando disciplina, controle, respeito por si mes¬mo, aos outros, às autoridades, que no homem se fazem in-dispensáveis para a feliz coexistência pacífica.
Medos e ansiedades, aspirações e sofrimentos estereoti¬pam-se em fórmulas e formas mitológicas que lhe refletem o estágio evolutivo, em alguns deles perfeitamente consentâ¬neos com as suas conquistas contemporâneas.
As concepções indianas lendárias, as tradições templári¬as dos povos orientais, recuperam as suas formulações nas tragédias gregas, excelentes repositórios dos conflitos hu¬manos, que a mitologia expõe, ora com poesia, em momen¬tos outros com formas grotescas de dramas cruéis.
A vingança de Zeus contra Prometeu, condenado à puni¬ção eterna, atado a um rochedo, no qual, um abutre lhe devo¬rava o fígado durante o dia e este se refazia à noite para que o suplício jamais cessasse, humaniza o deus vingador e despei¬tado, porque o ser, que ele criara, ao descobrir o fogo, adqui-rira o poder de iluminar a Terra, tornando-se uma quase di¬vindade. O ciúme e a paixão humana cegaram o deus, que se enfureceu.
O criador desejava que o seu gerado fosse sempre um ino¬cente, ignorante, dependente, sem consciência ética, sem dis¬cernimento, a fim de que pudesse, o todo-poderoso, nele com-prazer-se.
A desobediência, ingênua e curiosa do ser criado, trouxe-lhe o ignóbil, inconcebível e imerecido castigo, caracterizan¬do a falência do seu gerador.
Com pequenas variações vemos a mesma representação em outros povos e doutrinas de conteúdo infantil, que se não dão conta ou não querem encontrar o significado real da vida, a sua representação profunda, castigando aqueles que lhe de¬sobedecem e preferem a idade adulta da razão, abandonando a infância.
O pensamento cartesiano, com o seu “senso prático”, deu-lhes o primeiro golpe e lentamente decretou a morte dos mitos e das crenças.
Se, de um lado, favoreceu ao homem que abandonasse a tradição dos feiticeiros, dos bichos-papões, das cegonhas tra¬zendo bebês, eliminou também as fadas madrinhas, os gêni¬os bons, os anjos-da-guarda. E quando já se acreditava na morte dos mitos, considerando-se as mentes adultas libera-das deles, eis que a tecnologia e a mídia criaram outros hodiernos: ¬ os super-homens, os He-man, os invasores marcia¬nos, os homens invisíveis, gerando personagens considera¬das extraordinárias para o combate contra o mal sem trégua em nome do bem incessante.
Concomitantemente, a robótica abriu espaços para que a imaginação ampliasse o campo mitológico e as máquinas ele¬trônicas, na condição de simuladores, produzissem novos heróis e ases vencedores no contínuo campeonato das com¬petições humanas.
O exacerbar do entusiasmo tornou a ficção uma realidade próxima, permitindo que os jovens modernos confundam as suas possibilidades limitadas com as remotas conquistas da fantasia.
Imitam os heróis das histórias em quadrinhos, tomam posturas semelhantes aos líderes de bilheteria, no teatro, no rádio, no cinema, na televisão e chegam a crer-se imortais físicos, corpos indestrutíveis ou recuperáveis pelos engenhos da biônica, igualmente fabricantes de seres imbatíveis.
Retorna-se, de certo modo, ao período em que os deuses desciam à Terra, humanizando-se, e os magos com habilida¬des místicas resolviam quaisquer dificuldades, dando mar¬gem a uma cultura superficial e vandálica de funestos resul¬tados éticos.
A violência, que irrompe, desastrosa, arma os novos Ram¬bos com equipamentos de vingança em nome da justiça, en¬frentando as forças do mal que se apresentam numa socieda¬de injusta, promovendo lutas lamentáveis, sem controle.
As experiências pessoais, resultado das conquistas éticas, cedem lugar aos modelos fabricados pela imaginação fértil, que descamba para o grotesco, fomentado o pavor, ironizan¬do os valores dignos e desprezando as Instituições.
A falência do individualismo industrial, a decadência do coletivismo socialista deram lugar a novas formas de afirmação, nas quais o inconsciente projeta os seus mitos e asse¬nhoreia-se da realidade, confundindo-a com a ilusão.
As virtudes apresentam-se fora de moda e a felicidade surge na condição de desprezo pelo aceito e considerado, ins¬tituindo a extravagância — novo mito — como modelo de auto-realização, desde que choque e agrida o convívio social.
O perdido “jardim do Éden” da mitologia bíblica reapare¬ce na grande satisfação do “fruto do pecado”, transformando a punição em prazer e desafiando, mediante a contínua deso¬bediência, o Implacável que lhe castigou o despertar da cons¬ciência.
Na sucessão de desmandos propiciados pelos mitos con¬temporâneos, toma corpo a saudade da paz — inocência re¬presentativa do bem — e a experiência, demonstrando a inevi¬tabilidade dos fenômenos biológicos do desgaste do cansa¬ço, do envelhecimento e da morte, propicia uma revisão cul¬tural com amadurecimento das vivências, induzindo o ser a uma nova busca da escala de valores realmente representati¬vos das aspirações nobres da vida.
A solidão e a ansiedade que os mitos mascaram, mas não eqüacionam, rompem a couraça de indiferença do homem pela sua profunda identidade, levando-o a um amadurecimento em que o grupo social dele necessita para sobreviver, tanto quanto lhe é importante, favorecendo-o com um intercâmbio de emoções e ações plenificadoras.
Os mitos, logo mais, cederão lugar a realidades que já se apresentam, no início, como símbolos de uma nova conquis¬ta desafiadora e que se incorporarão, a pouco e pouco, ao cotidiano, ensinando disciplina, controle, respeito por si mes¬mo, aos outros, às autoridades, que no homem se fazem in-dispensáveis para a feliz coexistência pacífica.
Òdio e suicídio
Herdeiro de si mesmo, carregando, no inconsciente, as experiências transatas, o homem não foge aos atavismos que ojungem ao primitivismo, embora as claridades arrebatado¬ras do futuro chamando-o para as grandes conquistas.
Liberar-se do forte cipoal das paixões animalizantes para os logros da razão é o grande desafio que tem pela frente.
Onde quer que vá, encontra-se consigo mesmo.
A sua evolução sócioantropológica é a história das contí¬nuas lutas, em que o artista — o Espírito — arranca do bloco grotesco — a matéria — as expressões de beleza e grandiosida¬de que lhe dormem imanentes.
Os mitos de todos os povos, na história das artes, das filo¬sofias e das religiões, apresentam a luta contínua do ser liber¬tando-se da argamassa celular, arrebentando algemas para fir¬mar-se na liberdade que passa a usar, agressivamente, no co¬meço, até converter-se em um estado de consciência ética plenificador, carregado de paz.
Em cada mito do passado surge o homem em luta contra forças soberanas que o punem, o esmagam, o dominam.
Gerado o conceito da desobediência, o reflexo da puni¬ção assoma dominador, reduzindo o calceta a uma posição ínfima, contra a qual não se pode levantar, sequer justificar a fragilidade.
Essa incapacidade de enfrentar o imponderável — as for¬ças desgovernadas e prepotentes — mais tarde se apresenta camuflada em forma de rebelião inconsciente contra a exis¬tência física, contra a vida em si mesma.
Obrigado mais a temer esses opressores, do que a os amar, compelido a negociar a felicidade mediante oferendas e cul¬tos, extravagantes ou não, sente-se coibido na sua liberdade de ser, então rebelando-se e passando a uma atitude formal em prejuízo da real, a um comportamento social e religioso conveniente ao invés de ideal, vivendo fenômenos neuróti¬cos que o deprimem ou o exaltam, como efeitos naturais de sua rebelião íntima.
Ao mesmo tempo, procurando deter os instintos agressi¬vos nele jacentes, sem os saber canalizar, sofre reações psi¬cológicas que lhe perturbam o sistema emocional.
O ressentimento — que é uma manifestação da impotência agressiva não exteriorizada — converte-se em travo de amar¬gura, a tornar insuportável a convivência com aqueles contra os quais se volta.
Antegozando o desforço — que é a realização íntima da fraqueza, da covardia moral — dá guarida ao ódio que o com¬bure, tornando a sua existência como a do outro em um ver¬dadeiro inferno.
O ódio é o filho predileto da selvageria que permanece em a natureza humana. Irracional, ele trabalha pela destrui¬ção de seu oponente, real ou imaginário, não cessando, mes¬mo após a derrota daquele.
Quando não pode descarregar as energias em descontrole contra o opositor, volta-se contra si mesmo articulando me¬canismos de autodestruição, graças aos quais se vinga da so¬ciedade que nele vige.
Os danos que o ódio proporciona ao psiquismo, por des¬trambelhar a delicada maquinaria que exterioriza o pensa¬mento e mantém a harmonia do ser, tornam-se de difícil cata¬logação.
Simultaneamente, advêm reações orgânicas que se refletem nas funções hepáticas, digestivas, circulatórias, dando origem a futuros processos cancerígenos, cardíacos, cere¬brais...
A irradiação do ódio é portadora de carga destrutiva que, não raro, corrói as engrenagens do emissor como alcança aquele contra quem vai direcionada, caso este sintonize em faixa de equivalência vibratória.
Lixo do inconsciente, o ódio extravasa todo o conteúdo de paixões mesquinhas, representativas do primarismo evo¬lutivo e cultural.
Algumas escolas, na área da psicologia, preconizam como terapia, a liberação da agressividade, do ódio, dos recalques e castrações, mediante a permissão do vocabulário chulo, das diatribes nas sessões de grupo, das acusações recíprocas, pre¬tendendo o enfraquecimento das tensões, ao mesmo tempo a conquista da auto-realização, da segurança pessoal.
Sem discutirmos a validade ou não da experiência, o ho¬mem é pássaro cativo fadado a grandes vôos; ser equipado com recursos superiores, que viaja do instinto para a razão, desta para a intuição e, por fim, para a sua fatalidade plena, que é a perfeição.
Uma psicologia baseada em terapêutica de agressão e li¬bertação de instintos, evitando as pressões que coarctam os anseios humanos, certamente atinge os primeiros propósitos, sem erguer o paciente às cumeadas da realização interior, da identificação e vivência dos valores de alta monta, que dão cor, objetivo e paz à existência.
Assumir a inferioridade, o desmando, a alucinação é ex¬travasá-los, nunca sanar o mal, libertar-se dele por desneces¬sário.
Se não é recomendável para as referidas escolas, a repres¬são, pelos males que proporciona, menos será liberar alguns, aos outros agredindo, graças aos falsos direitos que tais paci¬entes requeiram para si, arremetendo contra os direitos alheios.
A sociedade, considerada como castradora, marcha para terapias que canalizem de forma positiva as forças humanas, suavizando as pressões, eliminando as tensões através de pro¬gramas de solidariedade, recreio e serviços compatíveis com a clientela que a constitui.
O ódio pressiona o homem que se frustra, levando-o ao suicídio. Tem origens remotas e próximas.
Nas patologias depressivas, há muito fenômeno de ódio embutido no enfermo sem que ele se dê conta. A indiferença pela vida, o temor de enfrentar situações novas, o pessimis¬mo disfarçam mágoas, ressentimentos, iras não digeridas, ódios que ressumam como desgosto de viver e anseio por interromper o ciclo existencial.
Falhando a terapia profunda de soerguimento do enfer¬mo, o suicídio é o próximo passo, seja através da negação de viver ou do gesto covarde de encerrar a atividade física.
Todos os indivíduos experimentam limites de alguma pro¬cedência.
Os extrovertidos conquistadores ocultam, às vezes, lar¬gos lances de timidez, solidão e desconfiança, que têm difi¬culdade em superar.
Suas reuniões ruidosas são mais mecanismos de fuga do que recursos de espairecimento e lazer.
Os alcoólicos que usam, as músicas ensurdecedoras que os aturdem, encarregam-se de mantê-los mais solitários na confusão do que solidários uns com os outros.
As gargalhadas, que são esgares festivos, substituem os sorrisos de bem-estar, de satisfação e humor, levando-os de um para outro lugar-nenhum, embora se movimentem por cidades, clubes e reuniões diversos.
O ser humano deve ter a capacidade de discernimento para eleger os valores compatíveis com as necessidades reais que lhe são inerentes.
Descobrir a sua realidade e crescer dentro dela, aumen¬tando a capacidade de ser saudável, eis a função da inteligên¬cia individual e coletiva, posta a benefício da vida.
As transformações propõem incertezas, que devem ser enfrentadas naturalmente, como as oposições e os adversári¬os encarados na condição de ocorrências normais do proces¬so de crescimento, sem ressentimentos, nem ódios ou fugas para o suicídio.
O homem que progride cada dia, ascende, não sendo atin¬gido pelas famas dos problematizados que o não podem acom¬panhar, por enquanto, no processo de crescimento.
Alcançado o acume desejado, este indivíduo está em con¬dições de descer sem diminuir-se, a fim de erguer aquele que permanece na retaguarda.
Ora, para alcançar-se qualquer meta e, em especial, a da paz, torna-se necessário um planejamento, que deflui da au¬toconsciência, da consciência ética, da consciência do conhe¬cimento e do amor,
O planejamento precede a ação e desempenha papel fun¬damental na vida do homem.
Somente uma atitude saudável e uma emoção equilibra¬da, sem vestígios de ódio, desejo de desforço, podem plane¬jar para o bem, o êxito, a felicidade.
Liberar-se do forte cipoal das paixões animalizantes para os logros da razão é o grande desafio que tem pela frente.
Onde quer que vá, encontra-se consigo mesmo.
A sua evolução sócioantropológica é a história das contí¬nuas lutas, em que o artista — o Espírito — arranca do bloco grotesco — a matéria — as expressões de beleza e grandiosida¬de que lhe dormem imanentes.
Os mitos de todos os povos, na história das artes, das filo¬sofias e das religiões, apresentam a luta contínua do ser liber¬tando-se da argamassa celular, arrebentando algemas para fir¬mar-se na liberdade que passa a usar, agressivamente, no co¬meço, até converter-se em um estado de consciência ética plenificador, carregado de paz.
Em cada mito do passado surge o homem em luta contra forças soberanas que o punem, o esmagam, o dominam.
Gerado o conceito da desobediência, o reflexo da puni¬ção assoma dominador, reduzindo o calceta a uma posição ínfima, contra a qual não se pode levantar, sequer justificar a fragilidade.
Essa incapacidade de enfrentar o imponderável — as for¬ças desgovernadas e prepotentes — mais tarde se apresenta camuflada em forma de rebelião inconsciente contra a exis¬tência física, contra a vida em si mesma.
Obrigado mais a temer esses opressores, do que a os amar, compelido a negociar a felicidade mediante oferendas e cul¬tos, extravagantes ou não, sente-se coibido na sua liberdade de ser, então rebelando-se e passando a uma atitude formal em prejuízo da real, a um comportamento social e religioso conveniente ao invés de ideal, vivendo fenômenos neuróti¬cos que o deprimem ou o exaltam, como efeitos naturais de sua rebelião íntima.
Ao mesmo tempo, procurando deter os instintos agressi¬vos nele jacentes, sem os saber canalizar, sofre reações psi¬cológicas que lhe perturbam o sistema emocional.
O ressentimento — que é uma manifestação da impotência agressiva não exteriorizada — converte-se em travo de amar¬gura, a tornar insuportável a convivência com aqueles contra os quais se volta.
Antegozando o desforço — que é a realização íntima da fraqueza, da covardia moral — dá guarida ao ódio que o com¬bure, tornando a sua existência como a do outro em um ver¬dadeiro inferno.
O ódio é o filho predileto da selvageria que permanece em a natureza humana. Irracional, ele trabalha pela destrui¬ção de seu oponente, real ou imaginário, não cessando, mes¬mo após a derrota daquele.
Quando não pode descarregar as energias em descontrole contra o opositor, volta-se contra si mesmo articulando me¬canismos de autodestruição, graças aos quais se vinga da so¬ciedade que nele vige.
Os danos que o ódio proporciona ao psiquismo, por des¬trambelhar a delicada maquinaria que exterioriza o pensa¬mento e mantém a harmonia do ser, tornam-se de difícil cata¬logação.
Simultaneamente, advêm reações orgânicas que se refletem nas funções hepáticas, digestivas, circulatórias, dando origem a futuros processos cancerígenos, cardíacos, cere¬brais...
A irradiação do ódio é portadora de carga destrutiva que, não raro, corrói as engrenagens do emissor como alcança aquele contra quem vai direcionada, caso este sintonize em faixa de equivalência vibratória.
Lixo do inconsciente, o ódio extravasa todo o conteúdo de paixões mesquinhas, representativas do primarismo evo¬lutivo e cultural.
Algumas escolas, na área da psicologia, preconizam como terapia, a liberação da agressividade, do ódio, dos recalques e castrações, mediante a permissão do vocabulário chulo, das diatribes nas sessões de grupo, das acusações recíprocas, pre¬tendendo o enfraquecimento das tensões, ao mesmo tempo a conquista da auto-realização, da segurança pessoal.
Sem discutirmos a validade ou não da experiência, o ho¬mem é pássaro cativo fadado a grandes vôos; ser equipado com recursos superiores, que viaja do instinto para a razão, desta para a intuição e, por fim, para a sua fatalidade plena, que é a perfeição.
Uma psicologia baseada em terapêutica de agressão e li¬bertação de instintos, evitando as pressões que coarctam os anseios humanos, certamente atinge os primeiros propósitos, sem erguer o paciente às cumeadas da realização interior, da identificação e vivência dos valores de alta monta, que dão cor, objetivo e paz à existência.
Assumir a inferioridade, o desmando, a alucinação é ex¬travasá-los, nunca sanar o mal, libertar-se dele por desneces¬sário.
Se não é recomendável para as referidas escolas, a repres¬são, pelos males que proporciona, menos será liberar alguns, aos outros agredindo, graças aos falsos direitos que tais paci¬entes requeiram para si, arremetendo contra os direitos alheios.
A sociedade, considerada como castradora, marcha para terapias que canalizem de forma positiva as forças humanas, suavizando as pressões, eliminando as tensões através de pro¬gramas de solidariedade, recreio e serviços compatíveis com a clientela que a constitui.
O ódio pressiona o homem que se frustra, levando-o ao suicídio. Tem origens remotas e próximas.
Nas patologias depressivas, há muito fenômeno de ódio embutido no enfermo sem que ele se dê conta. A indiferença pela vida, o temor de enfrentar situações novas, o pessimis¬mo disfarçam mágoas, ressentimentos, iras não digeridas, ódios que ressumam como desgosto de viver e anseio por interromper o ciclo existencial.
Falhando a terapia profunda de soerguimento do enfer¬mo, o suicídio é o próximo passo, seja através da negação de viver ou do gesto covarde de encerrar a atividade física.
Todos os indivíduos experimentam limites de alguma pro¬cedência.
Os extrovertidos conquistadores ocultam, às vezes, lar¬gos lances de timidez, solidão e desconfiança, que têm difi¬culdade em superar.
Suas reuniões ruidosas são mais mecanismos de fuga do que recursos de espairecimento e lazer.
Os alcoólicos que usam, as músicas ensurdecedoras que os aturdem, encarregam-se de mantê-los mais solitários na confusão do que solidários uns com os outros.
As gargalhadas, que são esgares festivos, substituem os sorrisos de bem-estar, de satisfação e humor, levando-os de um para outro lugar-nenhum, embora se movimentem por cidades, clubes e reuniões diversos.
O ser humano deve ter a capacidade de discernimento para eleger os valores compatíveis com as necessidades reais que lhe são inerentes.
Descobrir a sua realidade e crescer dentro dela, aumen¬tando a capacidade de ser saudável, eis a função da inteligên¬cia individual e coletiva, posta a benefício da vida.
As transformações propõem incertezas, que devem ser enfrentadas naturalmente, como as oposições e os adversári¬os encarados na condição de ocorrências normais do proces¬so de crescimento, sem ressentimentos, nem ódios ou fugas para o suicídio.
O homem que progride cada dia, ascende, não sendo atin¬gido pelas famas dos problematizados que o não podem acom¬panhar, por enquanto, no processo de crescimento.
Alcançado o acume desejado, este indivíduo está em con¬dições de descer sem diminuir-se, a fim de erguer aquele que permanece na retaguarda.
Ora, para alcançar-se qualquer meta e, em especial, a da paz, torna-se necessário um planejamento, que deflui da au¬toconsciência, da consciência ética, da consciência do conhe¬cimento e do amor,
O planejamento precede a ação e desempenha papel fun¬damental na vida do homem.
Somente uma atitude saudável e uma emoção equilibra¬da, sem vestígios de ódio, desejo de desforço, podem plane¬jar para o bem, o êxito, a felicidade.
Fobia Social
Pressionado pelas constrições de vária ordem, exceção feita aos fenômenos patológicos, na área da personalidade, o indivíduo tímido, desistindo de reagir, assume comportamen¬tos fóbicos.
Neuroses e psicoses se lhe manifestam, atormentando-o e gerando-lhe um clima de pesadelo onde quer que se encon¬tre.
A liberdade, que lhe é de fundamental importância para a vida, perde o seu significado externo, face às prisões sem paredes que são erguidas, nelas encarcerando-se.
Da melancolia profunda ele passa à ansiedade, com alter¬nâncias de insatisfação e tentativas de autodestruição, e da desconfiança sistemática tomba, por falta de resistências morais, diante dos insucessos banais da existência. Nem mes¬mo o êxito nos negócios, na vida social e familiar, consegue minimizar-lhe o desequilíbrio que, muitas vezes, aumenta, em razão dejá não lhe sendo necessário fazer maiores esfor¬ços para conseguir, considera-se sem finalidade que justifi¬que prosseguir.
Os estados fóbicos desgastam-lhe os nervos e conduzem-no às depressões profundas. São vários estes fenômenos no comportamento humano.
Surge, porém, no momento, um que se generaliza, a pou¬co e pouco, o denominado como fobia social, graças ao qual, o indivíduo começa a detestar o convívio com as demais pes¬soas, retraindo-se, isolando-se.
A princípio, apresenta-se como forma de mal-estar, de¬pois, como insegurança, quando o homem é conduzido a en¬frentar um grupo social ou o público que lhe aguarda apre¬sença, a palavra.
O grau de ansiedade foge-lhe ao controle, estabelecendo conflitos psicológicos perturbadores.
A ansiedade comedida é fenômeno perfeitamente natu¬ral, resultante da expectativa ante o inusitado, face ao traba¬lho a ser desenvolvido, diante da ação que deve ser aplicada como investimento de conquista, sem que isto provoque de¬sarmonia interior com reflexos físicos negativos.
Quando, então, se revela, desencadeada por problemas de somenos importância, produzindo taquicardias, sudorese álgida, tremores contínuos, estão ultrapassados os limites do equilíbrio, tornando-se patológica.
A fobia social impede uma leitura em voz alta, uma assi¬natura diante de alguém que acompanhe o gesto, segurar um talher para uma refeição, pegar um vaso com líquido sem o entornar... O paciente, nesses casos, tem a impressão de que está sob severa observação e análise dos outros, passando a detestar as presenças estranhas até os familiares e amigos mais íntimos.
Em algumas circunstâncias, quando o processo se encon¬tra em instalação, a concentração e o esforço para superar o impedimento auxiliam-no, facultando-o somente relaxar-se e adquirir naturalidade após constatar que ninguém o observa, perdendo, assim, o prazer do diálogo, face à tensão gerada pelo problema.
A tendência natural do portador de fobia social é fugir, ocultar-se malbaratando o dom da existência, vitimado pela ansiedade e pelo medo.
O homem é o único animal ético existente.
Para adquirir a condição de uma consciência ética é con¬vidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo, imprimindo-se um comportamento que corresponda ao seu grau de compre¬ensão existencial.
Aprofundando-se no exame dos valores, distingue-os. passando a viver conforme os padrões que estabelece como indispensáveis às metas que persegue, porqüanto pretende constituir-lhe a felicidade.
A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, apli¬ca outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial.
A vida de relação com os demais indivíduos é-lhe essen¬cial ao progresso ético.
Isolado, asselvaja-se ou entrega-se a uma submissão in¬diferente, perniciosa.
As imposições do relacionamento social exterior, sem profundidade emocional, respondem por esta explosão fóbi¬ca, face à ausência de segurança afetiva entre os indivíduos e à competição que grassa, desenfreada, fazendo que se veja sempre, no atual amigo, o potencial usurpador da sua função, o possível inimigo de amanhã.
Tal desconfiança arma as pessoas de suspeição, levando-as a uma conduta artificial, mediante a qual se devem apre¬sentar como bem estruturadas emocionalmente, superiores às vicissitudes, capazes de enfrentar riscos, indiferentes às agressões do meio, porque seguras das suas reservas de for¬ças morais.
Gerando instabilidade entre o que demonstram e aquilo que são realmente, surge o pavor de serem vencidas, deixa¬das à margem, desconsideradas. O mecanismo de fuga da luta sem quartel apresenta-se-lhes como alternativa saudável, por poupar-lhes esforços que lhes parecem inúteis, desde que não se sentem inclinadas a usar dos mesmos métodos de que se crêem vítimas.
Simultaneamente, as atividades trepidantes e as festas ruidosas mais afastam os amigos, que dizem não dispor de tempo para o intercâmbio fraternal, a assistência cordial, re¬ceosos, por sua vez, de igualmente tombarem, vitimados pelo mesmo mal que os ronda, implacável.
Nestas circunstâncias, mentes desencarnadas, deprimen¬tes, se associam aos pacientes, complicando-lhes o quadro e empurrando-os para as psicoses profundas, irreversíveis.
A desumanização do homem, que se submete aos capri¬chos do momento dourado das ilusões, conspira contra ele próprio e o seu próximo, tornando esta a geração do medo, a sociedade sem destino.
Neuroses e psicoses se lhe manifestam, atormentando-o e gerando-lhe um clima de pesadelo onde quer que se encon¬tre.
A liberdade, que lhe é de fundamental importância para a vida, perde o seu significado externo, face às prisões sem paredes que são erguidas, nelas encarcerando-se.
Da melancolia profunda ele passa à ansiedade, com alter¬nâncias de insatisfação e tentativas de autodestruição, e da desconfiança sistemática tomba, por falta de resistências morais, diante dos insucessos banais da existência. Nem mes¬mo o êxito nos negócios, na vida social e familiar, consegue minimizar-lhe o desequilíbrio que, muitas vezes, aumenta, em razão dejá não lhe sendo necessário fazer maiores esfor¬ços para conseguir, considera-se sem finalidade que justifi¬que prosseguir.
Os estados fóbicos desgastam-lhe os nervos e conduzem-no às depressões profundas. São vários estes fenômenos no comportamento humano.
Surge, porém, no momento, um que se generaliza, a pou¬co e pouco, o denominado como fobia social, graças ao qual, o indivíduo começa a detestar o convívio com as demais pes¬soas, retraindo-se, isolando-se.
A princípio, apresenta-se como forma de mal-estar, de¬pois, como insegurança, quando o homem é conduzido a en¬frentar um grupo social ou o público que lhe aguarda apre¬sença, a palavra.
O grau de ansiedade foge-lhe ao controle, estabelecendo conflitos psicológicos perturbadores.
A ansiedade comedida é fenômeno perfeitamente natu¬ral, resultante da expectativa ante o inusitado, face ao traba¬lho a ser desenvolvido, diante da ação que deve ser aplicada como investimento de conquista, sem que isto provoque de¬sarmonia interior com reflexos físicos negativos.
Quando, então, se revela, desencadeada por problemas de somenos importância, produzindo taquicardias, sudorese álgida, tremores contínuos, estão ultrapassados os limites do equilíbrio, tornando-se patológica.
A fobia social impede uma leitura em voz alta, uma assi¬natura diante de alguém que acompanhe o gesto, segurar um talher para uma refeição, pegar um vaso com líquido sem o entornar... O paciente, nesses casos, tem a impressão de que está sob severa observação e análise dos outros, passando a detestar as presenças estranhas até os familiares e amigos mais íntimos.
Em algumas circunstâncias, quando o processo se encon¬tra em instalação, a concentração e o esforço para superar o impedimento auxiliam-no, facultando-o somente relaxar-se e adquirir naturalidade após constatar que ninguém o observa, perdendo, assim, o prazer do diálogo, face à tensão gerada pelo problema.
A tendência natural do portador de fobia social é fugir, ocultar-se malbaratando o dom da existência, vitimado pela ansiedade e pelo medo.
O homem é o único animal ético existente.
Para adquirir a condição de uma consciência ética é con¬vidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo, imprimindo-se um comportamento que corresponda ao seu grau de compre¬ensão existencial.
Aprofundando-se no exame dos valores, distingue-os. passando a viver conforme os padrões que estabelece como indispensáveis às metas que persegue, porqüanto pretende constituir-lhe a felicidade.
A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, apli¬ca outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial.
A vida de relação com os demais indivíduos é-lhe essen¬cial ao progresso ético.
Isolado, asselvaja-se ou entrega-se a uma submissão in¬diferente, perniciosa.
As imposições do relacionamento social exterior, sem profundidade emocional, respondem por esta explosão fóbi¬ca, face à ausência de segurança afetiva entre os indivíduos e à competição que grassa, desenfreada, fazendo que se veja sempre, no atual amigo, o potencial usurpador da sua função, o possível inimigo de amanhã.
Tal desconfiança arma as pessoas de suspeição, levando-as a uma conduta artificial, mediante a qual se devem apre¬sentar como bem estruturadas emocionalmente, superiores às vicissitudes, capazes de enfrentar riscos, indiferentes às agressões do meio, porque seguras das suas reservas de for¬ças morais.
Gerando instabilidade entre o que demonstram e aquilo que são realmente, surge o pavor de serem vencidas, deixa¬das à margem, desconsideradas. O mecanismo de fuga da luta sem quartel apresenta-se-lhes como alternativa saudável, por poupar-lhes esforços que lhes parecem inúteis, desde que não se sentem inclinadas a usar dos mesmos métodos de que se crêem vítimas.
Simultaneamente, as atividades trepidantes e as festas ruidosas mais afastam os amigos, que dizem não dispor de tempo para o intercâmbio fraternal, a assistência cordial, re¬ceosos, por sua vez, de igualmente tombarem, vitimados pelo mesmo mal que os ronda, implacável.
Nestas circunstâncias, mentes desencarnadas, deprimen¬tes, se associam aos pacientes, complicando-lhes o quadro e empurrando-os para as psicoses profundas, irreversíveis.
A desumanização do homem, que se submete aos capri¬chos do momento dourado das ilusões, conspira contra ele próprio e o seu próximo, tornando esta a geração do medo, a sociedade sem destino.
Homens-aparência
Homens-aparência
A falta de uma consciência idealista, na qual predomina o bem geral sem os impulsos egoístas que trabalham em favor do imediatismo, torna difícil a realização da liberdade.
Para lográ-la até a plenitude, faz-se mister um seguro co¬nhecimento interior do homem, das suas aspirações e metas, bem como os instrumentos de trabalho com os quais preten¬de movimentar-se.
Ignorando as reações pessoais sempre imprevisíveis, fa¬cilmente ele tomba nas ciladas da violência ou entrega-se àdepressão, quando surgem dificuldades e as respostas ao seu esforço não correspondem ao anelado.
Incapaz de controlar-se, mantendo uma atitude criativa e otimista, mesmo em face dos dissabores, a liberdade se lhe transforma em uma conquista vazia, cuja finalidade é per¬mirtir-lhe extravasar os impulsos primitivos e as paixões agressivas, em atentado cruel contra aquilo que pretende: o anseio de ser livre.
O homem livre, sonha e trabalha, confia e persevera, se¬meando, em tempo próprio, a feliz colheita porvindoura.
Não se pode conseguir de um para outro momento a li¬berdade, nem a herdar das gerações passadas. Cada indiví¬duo a conquista lentamente, acumulando experiências que amadurecem o discernimento e a razão de que se utiliza no momento de vivenciá-la.
Ela começa na escolha de si próprio, conforme o enunci¬ado cristão do “amar ao próximo como a si mesmo” se ama, por quanto não existindo este sentimento pessoal de respeito à própria individualidade, que propõe os limites dos direitos na medida dos deveres executados, não se pode esperar con¬sideração aos valores alheios, com a conseqüente liberdade dos outros indivíduos.
Esse amor a si mesmo ergue o homem aos patamares su¬periores da vida que a sua consciência idealista descortina e o seu esforço produz. Meta a meta, ele ascende, fazendo op¬ções mais audaciosas no campo do belo, do útil, do humano, deixando pegadas indicadoras para os indecisos da retaguar-da. Sua personalidade se ilumina de esperança e a sua condu¬ta se permeia de paz.
Lentamente, são retiradas as aparências do conveniente social, do agradável estatuído, do conforme desejado, para que a legítima identidade apareça e o homem se torne o que realmente e.
É claro que nos referimos às expressões de engrandeci¬mento que, normalmente, permanecem enclausuradas no ín¬timo sem oportunidade de exteriorizar-se, soterradas, às ve¬zes, sob sucessivas camadas de medo, de indiferença, de aco¬modação.
Muitos homens temem ser conhecidos nos seus sentimen¬tos éticos, nos seus esforços de saudável idealismo, tacha¬dos, esses valores, pelos pigmeus morais, encarcerados no exclusivismo das suas paixões, como sentimentalismos, pie¬guices, fraquezas de caráter.
Confundem coragem com impulsividade e força com ex¬pressões do poder, da dominação.
Porque vivem sem liber¬dade, desdenham os homens livres.
Na consciência profunda está ínsita a verdadeira liberda¬de, que deve ser buscada mediante o mergulho no âmago do ser e a reflexão demorada, propiciadora do autoconhecimen¬to.
Em realidade o homem é livre e nasceu para preservar este estado.
Não tem limites a conquista da liberdade, porqüanto ele pode, embora não deva, optar por preservar ou não o corpo, através do suicídio espetacular ou escamoteado, na recusa consciente ou não de continuar a viver.
Não se decidindo, porém, em preservar esse atributo, sus¬tentando ou melhorando as estruturas psicológicas, sofre os efeitos do relacionamento social pressionador, e tomba nos meandros da turbulência dos dias que vive.
Esvaziados de objetivos elevados, os movimentos dos grupos sociais como dos indivíduos proporcionam a anar¬quia, que se mascara de liberdade, destacando-se a violência de um lado e o conformismo de outro, sem um relaciona¬mento saudável entre as criaturas. Dissimulam-se os senti¬mentos para se apresentarem bem, conforme o figurino vi¬gente, detestando-se fraternalmente e vivendo a competição frenética e desgastante para cada qual alcançar a supremacia no grupo, agradando o ego atormentado.
Apesar de acumularem haveres pregando o existencialis¬mo comportamental, esses vitoriosos permanecem vazios, sem ideal, sem consciência ética, mumificados nas ambições e presos aos desejos que nunca satisfazem.
Desencadeia-se um distúrbio no conjunto social, que afe¬ta o homem, por sua vez perturbando mais o grupo, em círcu¬lo vicioso, no qual a causa, gerando efeitos, estes se tornam novas causas de tribulação.
Reverter o sistema injusto e desgastante, no qual se mede e valoriza o homem pelo que tem, e não pelo que é, em razão do que pode, não do que faz, é o compromisso de todo aquele que é livre.
A desordenada preocupação por adquirir, a qualquer pre¬ço, equipamentos, veículos, objetos da propaganda alucina¬da; a ansiedade para ser bem-visto e acatado no meio social; o tormento para vestir-se de acordo com a moda exigente; a inquietação para estar bem informado sobre os temas sem profundidade de cada momento transtornam o equilíbrio emocional da criatura, arrojando-a aos abismos da perda da identidade, à desestruturação pessoal, à confusão de valores.
Homens-aparência, tornam-se quase todos. Calmos ou não, fortes ou fracos, ricos ou pobres enxameiam num con¬texto confuso, sem liberdade, no entanto, em regime político e social de liberdade, atulhados de ferramentas de trabalho como de lazer, desmotivados e automatistas, sem rumo. Pros¬seguem, avançando — ou caminhando em círculo? — desnor¬teados na grande horizontal das conquistas de fora, temendo a verticalidade da interiorização realmente libertadora.
A falta de uma consciência idealista, na qual predomina o bem geral sem os impulsos egoístas que trabalham em favor do imediatismo, torna difícil a realização da liberdade.
Para lográ-la até a plenitude, faz-se mister um seguro co¬nhecimento interior do homem, das suas aspirações e metas, bem como os instrumentos de trabalho com os quais preten¬de movimentar-se.
Ignorando as reações pessoais sempre imprevisíveis, fa¬cilmente ele tomba nas ciladas da violência ou entrega-se àdepressão, quando surgem dificuldades e as respostas ao seu esforço não correspondem ao anelado.
Incapaz de controlar-se, mantendo uma atitude criativa e otimista, mesmo em face dos dissabores, a liberdade se lhe transforma em uma conquista vazia, cuja finalidade é per¬mirtir-lhe extravasar os impulsos primitivos e as paixões agressivas, em atentado cruel contra aquilo que pretende: o anseio de ser livre.
O homem livre, sonha e trabalha, confia e persevera, se¬meando, em tempo próprio, a feliz colheita porvindoura.
Não se pode conseguir de um para outro momento a li¬berdade, nem a herdar das gerações passadas. Cada indiví¬duo a conquista lentamente, acumulando experiências que amadurecem o discernimento e a razão de que se utiliza no momento de vivenciá-la.
Ela começa na escolha de si próprio, conforme o enunci¬ado cristão do “amar ao próximo como a si mesmo” se ama, por quanto não existindo este sentimento pessoal de respeito à própria individualidade, que propõe os limites dos direitos na medida dos deveres executados, não se pode esperar con¬sideração aos valores alheios, com a conseqüente liberdade dos outros indivíduos.
Esse amor a si mesmo ergue o homem aos patamares su¬periores da vida que a sua consciência idealista descortina e o seu esforço produz. Meta a meta, ele ascende, fazendo op¬ções mais audaciosas no campo do belo, do útil, do humano, deixando pegadas indicadoras para os indecisos da retaguar-da. Sua personalidade se ilumina de esperança e a sua condu¬ta se permeia de paz.
Lentamente, são retiradas as aparências do conveniente social, do agradável estatuído, do conforme desejado, para que a legítima identidade apareça e o homem se torne o que realmente e.
É claro que nos referimos às expressões de engrandeci¬mento que, normalmente, permanecem enclausuradas no ín¬timo sem oportunidade de exteriorizar-se, soterradas, às ve¬zes, sob sucessivas camadas de medo, de indiferença, de aco¬modação.
Muitos homens temem ser conhecidos nos seus sentimen¬tos éticos, nos seus esforços de saudável idealismo, tacha¬dos, esses valores, pelos pigmeus morais, encarcerados no exclusivismo das suas paixões, como sentimentalismos, pie¬guices, fraquezas de caráter.
Confundem coragem com impulsividade e força com ex¬pressões do poder, da dominação.
Porque vivem sem liber¬dade, desdenham os homens livres.
Na consciência profunda está ínsita a verdadeira liberda¬de, que deve ser buscada mediante o mergulho no âmago do ser e a reflexão demorada, propiciadora do autoconhecimen¬to.
Em realidade o homem é livre e nasceu para preservar este estado.
Não tem limites a conquista da liberdade, porqüanto ele pode, embora não deva, optar por preservar ou não o corpo, através do suicídio espetacular ou escamoteado, na recusa consciente ou não de continuar a viver.
Não se decidindo, porém, em preservar esse atributo, sus¬tentando ou melhorando as estruturas psicológicas, sofre os efeitos do relacionamento social pressionador, e tomba nos meandros da turbulência dos dias que vive.
Esvaziados de objetivos elevados, os movimentos dos grupos sociais como dos indivíduos proporcionam a anar¬quia, que se mascara de liberdade, destacando-se a violência de um lado e o conformismo de outro, sem um relaciona¬mento saudável entre as criaturas. Dissimulam-se os senti¬mentos para se apresentarem bem, conforme o figurino vi¬gente, detestando-se fraternalmente e vivendo a competição frenética e desgastante para cada qual alcançar a supremacia no grupo, agradando o ego atormentado.
Apesar de acumularem haveres pregando o existencialis¬mo comportamental, esses vitoriosos permanecem vazios, sem ideal, sem consciência ética, mumificados nas ambições e presos aos desejos que nunca satisfazem.
Desencadeia-se um distúrbio no conjunto social, que afe¬ta o homem, por sua vez perturbando mais o grupo, em círcu¬lo vicioso, no qual a causa, gerando efeitos, estes se tornam novas causas de tribulação.
Reverter o sistema injusto e desgastante, no qual se mede e valoriza o homem pelo que tem, e não pelo que é, em razão do que pode, não do que faz, é o compromisso de todo aquele que é livre.
A desordenada preocupação por adquirir, a qualquer pre¬ço, equipamentos, veículos, objetos da propaganda alucina¬da; a ansiedade para ser bem-visto e acatado no meio social; o tormento para vestir-se de acordo com a moda exigente; a inquietação para estar bem informado sobre os temas sem profundidade de cada momento transtornam o equilíbrio emocional da criatura, arrojando-a aos abismos da perda da identidade, à desestruturação pessoal, à confusão de valores.
Homens-aparência, tornam-se quase todos. Calmos ou não, fortes ou fracos, ricos ou pobres enxameiam num con¬texto confuso, sem liberdade, no entanto, em regime político e social de liberdade, atulhados de ferramentas de trabalho como de lazer, desmotivados e automatistas, sem rumo. Pros¬seguem, avançando — ou caminhando em círculo? — desnor¬teados na grande horizontal das conquistas de fora, temendo a verticalidade da interiorização realmente libertadora.
sábado, 15 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
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